Cientistas do Instituto Salk, dos Estados Unidos, criaram o primeiro atlas de microproteínas do córtex frontal humano. Isso, segundo eles, amplia o leque de ferramentas disponíveis, oferecendo mais recursos e uma chance maior de vencer a luta contra a neurodegeneração.
A equipe utilizou 480 amostras de córtex frontal humano, com e sem doença de Alzheimer, e identificou 1.067 novas microproteínas, que são uma classe menor de proteínas mais difícil de encontrar e estudar, apesar de desempenhar papéis importantes na saúde e nos quadros neurodegenerativos. Os dados foram processados em tecnologias como o ShortStop, ferramenta com inteligência artificial criada para analisar a vasta quantidade de dados em busca de microproteínas em células cerebrais. “Conseguimos criar um banco de dados totalmente novo que os pesquisadores podem baixar e usar para interpretar melhor as funções dos genes”, disse o primeiro autor e coautor correspondente Brendan Miller em comunicado. O autor sênior e coautor correspondente Alan Saghatelian acrescentou que “ainda não compreendemos completamente os mecanismos moleculares do envelhecimento saudável, e isso é especialmente verdade para as microproteínas, que foram inadvertidamente negligenciadas por décadas”. “Nosso atlas permite que os cientistas investiguem sistematicamente as microproteínas no envelhecimento e na neurodegeneração, o que deve nos aproximar da compreensão e do combate a doenças como Alzheimer ou Parkinson”, salientou. Os pesquisadores, em artigo publicado na revista Nature Agin, pontuam que o que torna o atlas confiável é que as 1.067 microproteínas foram confirmadas usando um equipamento chamado espectrômetro de massa, que detecta fisicamente os componentes básicos das proteínas (peptídeos).
Microproteína pode contribuir para a disfunção relacionada à idade nas células imunes residentes do cérebro A partir da elaboração do atlas, os envolvidos observaram que centenas das novas microproteínas estavam expressas em diferentes níveis nas células cerebrais de pacientes com Alzheiner, em comparação com células sistêmicas.
Eles também investigaram mais especificamente um tipo de célula cerebral no córtex frontal humano: a micróglia, que costuma apresentar disfunções com a idade e em doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. A equipe gerou seus próprios dados de espectrometria de massa em microglia, buscando microproteínas que poderiam ser especialmente diferenciadas nessas células. Eles constataram que dentro do mesmo trecho de código genético, uma proteína e uma microproteína poderiam ser produzidas simultaneamente, mas, nesse caso, a microglia estava expressando a microproteína, e não a proteína. As descobertas sugerem uma ligação entre a microproteína e a disfunção da microglia na doença de Alzheimer e isso, de acordo com os pesquisadores, abre uma nova e promissora via no desenvolvimento de terapias que mantêm a microglia saudável. “Às vezes, presumimos que sabemos tudo sobre o nosso genoma e que conhecemos todos os genes que as nossas células podem produzir — isso simplesmente não é verdade”, destacou Saghatelian. “O nosso conhecimento está em constante expansão, e este atlas facilita muito o estudo de microproteínas na pesquisa em ciências da vida”, finalizou. Mais Lidas
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