Estudo mostra queda do número de línguas no mundo por mudanças nas civilizações

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Fonte da notícia: CBN CBN

Um estudo publicado na revista Science mostra que o número de línguas no mundo caiu muito desde a antiguidade, onde há uma estimativa entre 30 a 75 mil línguas diferentes que existiam antigamente. Atualmente, esse número está em 7,5 mil. Os pesquisadores tentaram compreender, através de cálculos matemáticos e conhecimentos de linguística e antropologia, os motivos dessa mudança, retomando o tempo histórico, em cerca de 12 mil anos. Segundo o estudo, diversas mudanças ocorreram ao longo do tempo, com substituições de línguas mais antigas, expansão de grandes civilizações e o colonialismo europeu na América, África e Ásia. Uma das líderes do estudo, a professora de linguística e antropologia da Universidade de Yale, em Connecticut, Claire Bowern, destaca como as línguas carregam conhecimento e memórias. 'Para os cientistas, as línguas contêm enormes quantidades de informações sobre o passado, desde onde as pessoas viviam até o que comiam e sobre o que conversavam. Elas também nos oferecem uma janela para a mente humana', disse para a agência de notícias Reuters. Entre as principais percepções estão das transformações das famílias linguísticas, passando pelo Egito, Mesopotâmica, China, entre outros locais. Outro dos autores, Damian Blasi, cientista cognitivo e antropólogo evolucionista do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados, na Espanha, afirma que, há alguns milhares de anos, os humanos habitavam 'em um mundo cultural muito mais diversificado do que aquele que conhecemos hoje'. Trecho do cilindro de Ciro, em escrita cuneiforme. Reprodução/Wikimedia Commons Com registros complexos sobre a antiguidade, não há certeza nenhuma sobre os registros e de muitas línguas que foram desaparecendo sem mesmo haver nenhum conhecimento. Por isso, os pesquisadores construíram um modelo para simular a variação. Usando dados de 171 sociedades que eram caçadoras-coletoras na Ásia, América do Sul e África, para compreender o tamanho dos grupos de língua, no momento mais próximo do Holoceno, a última era glacial. Eles aproveitaram isso para aplicar estimativas a população humana de cada época. Nesse período, os humanos falavam entre 4,5 mil e 6,2 mil línguas, segundo o estudo. Conforme as mudanças ocorreram, as línguas também mudaram - e aumentaram. Entre algumas línguas que sumiram estão o etrusco, sumério, acádio, além de outras usadas na China antiga, Egito antigo e mais. 'As pessoas que falam essa língua são mortas ou passam a falar, ou são forçadas a mudar, para outra língua', comentou Bowern. Há também transformações, além das mortes. O caso mais marcante talvez seja o latim, língua oficial de Roma, que ganhou denominações e variações, caso do português, italiano, espanhol, francês. As colonizações europeias tem um papel fundamental também na instrumentalização das línguas. Algumas se mantiveram, como a dos maias e incas. Porém, os especialistas acreditam que metade das línguas atuais estão em risco. Segundo Bowern, atualmente há muitas línguas com poucos falantes, que poderiam morrer, já que '90% da população no mundo fala 10% das línguas. Caligrafia com latim. Reprodução/Wikimedia Commons

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