Letícia Félix tem 17 anos, mora na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio, e está no segundo ano do ensino médio. Há poucas semanas, ela conseguiu mais de 11 mil seguidores no Instagram depois de contar, numa entrevista que bombou na internet, que foi furtada dentro de um BRT e ficou sem parte do dinheiro do Pé-de-Meia, o benefício do governo federal que ajuda alunos de baixa renda da escola pública a continuarem estudando.
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A jovem já contava com o apoio financeiro havia um ano. — No caso, eu comecei a usar o Pé-de-Meia ano passado.
Antes eu não sabia usar, foi dali que eu comecei a aprender — conta a estudante. — Você sai do terceiro ano já com um caminho a seguir.
Sobre o que pretende fazer com o restante do dinheiro, Letícia é direta: quer guardar para cursar Administração, mas também reconhece a importância de ter uma reserva. — Eu tenho um sonho de fazer Administração.
Quero juntar dinheiro para isso. Mas também guardo uma parte, porque vou iniciar a vida adulta, e é bom ter uma reserva — diz.
Considerando o programa como um todo, mais de 310 mil estudantes no Estado do Rio estão contemplados neste ano, segundo o Ministério da Educação (MEC), responsável pelo pagamento do benefício. É mais gente do que o total de moradores das cidades de Petrópolis, Volta Redonda e Macaé.
E muitos podem se perguntar: afinal, quem são esses estudantes? No Rio, a maioria é formada por jovens negros (70,41%), meninas (51,65%), entre 16 e 18 anos. Gente como Letícia, Kamilly e Ricardo, três beneficiários que a coluna Corre de Cria ouviu para entender o que o benefício representa no dia a dia de quem mora na Baixada Fluminense e em comunidades da capital.
Kamilly Belisário estudando em casa Arquivo pessoal
"Muitas vezes eu peguei o dinheiro do Pé-de-Meia e comprei coisas que precisava para casa. Duzentos reais no fim do mês faz bastante coisa.
Isso me dá uma segurança financeira e tira aquela agonia de não saber se vou ter dinheiro para ajudar em casa ou comprar material de estudo." Kamilly Belisário, 18 anos, de Bom Pastor, em Belford Roxo
Ricardo Sampaio em sua formatura de ensino médio Arquivo pessoal
"Usei primeiro para pagar água e luz, porque minha mãe perdeu o emprego na pandemia. Depois, guardei o acúmulo e paguei duas parcelas adiantadas da minha faculdade de Recursos Humanos."
Ricardo Sampaio, 19 anos, da comunidade Marcílio Dias Luan Miguel em sua escola
Arquivo pessoal "O Pé-de-Meia me ajudou a economizar, planejar meu futuro e também ajudar financeiramente em casa.
Aprendi a administrar melhor meu dinheiro e a ter mais responsabilidade com minhas conquistas e as necessidades da minha família" Luan Miguel, 18 anos, de Santa Tereza, em Belford Roxo
Como funciona o benefício federal? Pense no Pé-de-Meia como uma poupança para quem está no ensino médio público.
O aluno comprova a matrícula e a frequência nas aulas para que todos os meses caiam R$ 200 em sua conta. Ao fim de cada ano, mais R$ 1 mil são depositados em caso de aprovação, valor que só pode ser sacado após a formatura.
Quem faz o Enem ganha mais R$ 200. Somando tudo, ao longo dos três anos de estudo, o estudante pode juntar até R$ 9.200.
Para entrar no Pé-de-Meia, a família precisa estar inscrita no CadÚnico, mantendo os dados atualizados. O CPF do aluno deve estar regularizado, e a matrícula feita em até dois meses depois do início do ano letivo do programa.
Outra exigência é que o aluno tenha pelo menos 80% de frequência. Para os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a conta é diferente: o incentivo de matrícula também é de R$ 200, mas o de frequência chega a R$ 225.
Os valores podem ser sacados na hora. É preciso ter entre 19 e 24 anos.
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