Estrelas no tribunal: Príncipe Harry e Elton John 'lideram' grupo de celebridades em processo contra jornais britânicos; entenda
O príncipe Príncipe Harry e o cantor Elton John lideram um grupo de sete personalidades que pedem uma indenização “substancial” contra a empresa Associated Newspapers Ltd (ANL), proprietária dos jornais britânicos Daily Mail e do Mail on Sunday, por suposta invasão de privacidade. O julgamento, encerrado nesta terça-feira no Tribunal Superior de Londres, teve início em janeiro e aguarda decisão nas próximas semanas.
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Entre os denunciantes estão ainda a atriz Elizabeth Hurley, o produtor David Furnish, a atriz Sadie Frost, a ativista Doreen Lawrence e o ex-político Simon Hughes. Eles acusam o grupo editorial de obter informações de forma ilegal, inclusive com o uso de detetives privados.
Durante o processo, marcado por depoimentos emocionados, os autores alegaram que os tabloides escutaram conversas privadas e mentiram para obter informações médicas. “Pedimos que o tribunal conceda uma indenização substancial a cada um dos demandantes pelo uso indevido de informação privada”, afirmaram os advogados dos denunciantes na conclusão.
Ao encerrar a audiência, o juiz Matthew Nicklin disse que a decisão levará “algum tempo”, sem indicar prazo.
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O caso é mais um capítulo da longa batalha judicial do príncipe Harry contra a imprensa sensacionalista britânica. Aos 41 anos, o filho mais novo do rei Charles III se afastou da família real em 2020 e passou a viver nos Estados Unidos, onde reside na Califórnia com a esposa Meghan Markle e os dois filhos.
Harry responsabiliza os paparazzi pela morte de sua mãe, Princesa Diana, em 1997, em Paris, e acusa a imprensa de perseguir sua mulher. No início do julgamento, em janeiro, afirmou, à beira das lágrimas, que os tabloides tornaram a vida de Meghan “absolutamente infernal”.
Elizabeth Hurley também se emocionou ao relatar que jornais teriam instalado microfones nas janelas de sua casa, classificando as ações como “monstruosas”. Já Elton John criticou as “odiosas” violações de sua privacidade, incluindo o suposto acesso a dados médicos ligados ao nascimento de seu filho, Zachary.
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A defesa da ANL rejeita as acusações. O advogado Antony White afirmou que não há provas de conduta ilegal nas reportagens publicadas entre 2000 e 2015. “O jornalismo ordinário e legítimo, baseado em apuração prévia ou em fontes confidenciais, é mais provável que a espionagem telefônica, as escutas ou qualquer outra forma de obtenção ilegal de informação”, argumentou.
O editor-chefe do Daily Mail, Sam Greenhill, classificou as acusações de escutas como “absolutamente falsas”. Já o advogado dos denunciantes, David Sherborne, disse que jornalistas do jornal “não puderam explicar como obtiveram a informação exclusiva contida nos artigos”.
O caso inclui ainda declarações controversas de investigadores privados. Gavin Burrows afirmou em 2021 ter participado de escutas telefônicas e coleta de dados para a ANL, mas posteriormente se retratou, alegando que suas confissões haviam sido falsificadas. Sherborne acusou o investigador de “mudar de lado por vergonha”, o que foi negado.
Outro detetive, o americano Dan Portley-Hanks, declarou ter trabalhado para o Daily Mail em assuntos ligados a Harry. “Sei que fiz coisas ilegais a respeito dele, mas não me recordo exatamente quais”, escreveu.
A decisão do tribunal poderá ter impacto relevante sobre os limites legais da atuação da imprensa britânica e sobre a série de processos movidos por celebridades contra tabloides no país.
