Luísa Sonza, de 28 anos, se prepara para levar ao Palco Mundo do Rock in Rio o show que classifica como o mais desafiador da carreira. Na segunda-feira (7), feriado da Independência, a cantora gaúcha promete se despir dos rótulos que já tentaram enquadrá-la ao encabeçar uma homenagem à bossa nova, dividindo palco com Roberto Menescal, de 88 anos, um dos precursores do gênero. Em conversa com a Quem, Luísa abre os bastidores de uma preparação que afirma ser um divisor de águas. "Esse show é diferente de todos os shows que eu já fiz", entrega. "O núcleo é a homenagem à bossa nova, mas não só uma homenagem, é uma lenda no meu palco, com a sua banda completa. Isso é um peso muito diferente". Para além da presença ilustre de Roberto Menescal, Luísa conta que teve total liberdade para estruturar a apresentação, que, segundo ela, fugirá do formato tradicional de um set de festival. "Não é um show só sobre Luísa Sonza. É um show estruturalmente diferente. Eu não gosto de chamar de arriscado, mas você tem que estar preparado para se propor a fazer. É um desafio, está muito claro, mas um desafio que todo mundo sonha em ter. É uma responsabilidade que eu sonhei a minha vida inteira em ter e jurei que talvez não fosse possível", afirma.
Para Luísa, o convite do Rock in Rio e a liberdade que teve para pensar o projeto representam a confirmação de tudo que ela defende como artista. "Eu luto contra esses estigmas de caixas que tentam encaixar a música. Acho simplório demais a gente falar 'ah, esse é um ritmo puro'. Essa linha da pureza artística é um absurdo. Isso me limita como artista", explica. Luísa Sonza e Roberto Menescal Divulgação A diversidade de gêneros, como a cantora gosta de pensar, veio de herança dos anos tocando com bandas de casamento. "Eu vivenciei a música dessa maneira desde criança. Os noivos se emocionam com Tom Jobim ou Monte Castelo do Legião Urbana, e no final estão com Valesca Popozuda e Roupa Nova. No mesmo ambiente, com as mesmas pessoas." Para ela, não será necessário abrir mão de nenhum lado do próprio repertório. "É um show em que os ritmos coexistem. A homenagem à bossa nova pode existir dentro de um show pop em que a gente dança, vai do funk ao pop, à bossa nova, à balada que a gente chora, sem se excluir de maneira alguma", reflete. Ao mesmo tempo em que idealiza a coexistência dos gêneros, Luísa reconhece que o formato pode gerar estranhamento. "Não necessariamente o retorno do público vai ser imediato, porque pode ser que muita gente não entenda, ou muita gente que ama muito o que eu faço fale: 'ah, esse show foi chato'. E eu estou muito disposta a isso. Eu entendo essa responsabilidade e acho que é uma responsabilidade que todo mundo gostaria de ter", diz. Questionada sobre as críticas que costuma receber por se aventurar na bossa nova, gênero da vanguarda brasileira, a cantora é direta. "Eu estou com o criador da bossa nova. Só isso explica. Se você acha alguma coisa, você está errado. Quem criou está ali comigo", debocha. Luísa lembra que o projeto "Bossa Sempre Nova", lançado em janeiro em parceria com Menescal e Toquinho, foi um dos momentos em que mais recebeu reconhecimento. "Eu não fui criticada, pelo contrário, foi uma das vezes que eu mais fui abraçada de maneira quase unânime." Luísa Sonza Reprodução/Instagram Para o grande momento, que Luísa encara como um divisor de águas, o investimento também gera curiosidade no público. Questionada se precisou colocar mais reservas financeiras para a realização, a cantora pondera, mas deixa claro que não se preocupou em poupar. "Essa coisa de estimativa é muito relativa", dá risada. "O quanto eu investi nesse show? Foram 10, 20 anos de carreira, contando com minha banda de casamento. Isso não pode ser tirado da relevância. É muito tempo investido, muito estudo investido, muito respeito e conhecimento investido para estar nesse show. E, obviamente, vai ter um cenário digno de ter o Roberto Menescal ali comigo", diz. Por fim, Luísa fez questão de se distanciar das críticas, principalmente as das redes sociais. "Hoje eu sei quem eu sou, sei onde eu estou, sei o que eu fiz pra chegar aqui. Quando você tem muita certeza de quem você é, a crítica não chega, parece que passa mais batido. Antes eu caía muito nessas armadilhas de achar que o público me conhecia mais do que eu mesma. Hoje eu estou muito mais construída como mulher, como pessoa", destacou. Luísa abrirá a programação do Palco Mundo no dia 7 de setembro, no mesmo dia em que se apresentam Jon Batiste, Gilberto Gil e Elton John. Será a terceira participação da gaúcha no Rock in Rio: a primeira foi no Palco Sunset, em 2022, e a segunda no Palco Mundo, em 2024.
Revista Quem