No lugar de matches amorosos, frutas e hortaliças. Em vez de encontros, oportunidades de venda, troca e doação. É assim que funciona o “Quintal”, plataforma criada em agosto pela empresária e influencer Gabriella Martins de Carvalho, do Distrito Federal. A proposta para evitar o desperdício de alimentos viralizou nas redes sociais poucas semanas após ser apresentada em um vídeo, com mais de 11 milhões de visualizações, e rendeu à ferramenta digital o apelido de “Tinder das frutas”.
De acordo com Gabriella, a inspiração não surgiu de pesquisa de mercado ou tendências tecnológicas. Ela explica que tudo nasceu dentro de casa, a partir de uma situação que vivencia desde a infância, com frutas em abundância e nem sempre alguém para consumi-las.
O cenário se repetiu anos depois, quando, após mudar de residência, encontrou uma árvore de fruta-pão carregada no novo quintal. A experiência a fez perceber que o excesso de produção poderia ser realidade em diferentes lugares: enquanto algumas pessoas tinham alimentos sobrando, outras estavam interessadas em recebê-los. “O ‘Quintal’ cria essa ponte. Eu posso ter manga sobrando e querer laranja, enquanto outra pessoa pode ter laranja e querer manga. Quando esses interesses se encontram, as duas podem conversar e combinar a troca. E isso lembra mesmo um ‘match’, assim como no Tinder, né? Por isso, o nome pegou”. Como funciona o Quintal A plataforma criada pela empresária permite que pessoas se cadastrem gratuitamente para vender, trocar e doar diversos tipos de alimentos a quem ainda não conhece, mas mora próximo. A fruta-pão foi o primeiro item no processo de resolução do problema. A partir daí, a ferramenta foi ampliada e passou a receber também hortaliças, sementes, mudas de plantas, ovos, mel e outros produtos caseiros.
“Todo mundo consegue descobrir o que existe por perto, pesquisar algo específico que deseja comer, dar match com outros usuários e conversar diretamente. Também existe um mapa colaborativo para registrar árvores frutíferas e ervas, inclusive, em espaços públicos. A comunidade sinaliza quando aquela árvore está produzindo, servindo como uma informação coletiva”.
Site vai virar aplicativo em breve Divulgação Outro detalhe está na área “Meus Cultivos”, onde o usuário registra de uma só vez todos os alimentos da propriedade. Quando começa determinada safra, basta ativar e disponibilizar a colheita.
“Não é preciso ter quintal para participar. Quem mora em apartamento, por exemplo, pode receber uma doação ou comprar diretamente de alguém próximo que tenha algo”. Leia também Como evitar o desperdício de alimentos? Veja dicas práticas Dez alimentos que podem virar adubo para plantas Em poucas semanas, o Quintal soma 21 mil contas registradas em 275 cidades do Brasil e 14,5 mil negociações iniciadas. Para Gabriella, os números mostram que a ideia encontrou uma demanda forte e, por isso, ela já trabalha na criação de um aplicativo.
“Quero fazer o alimento circular antes que vire desperdício. E está dando certo. O que mais me chamou atenção até agora foi perceber a quantidade de gente com vontade de compartilhar o que produz, mas não tinha uma forma de encontrar quem estava perto. Recebo mensagens de pessoas contando sobre frutas que perdem todos os anos, árvores carregadas em sítios, e outras querendo levar a ideia para o próprio bairro”, relata.
Globo Rural