A saúde financeira das empresas estatais piorou no último mês de setembro, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29/10) pelo Banco Central (BC). Segundo a pesquisa, houve um deficit de R$ 3,4 bilhões na soma de todas essas companhias.
Ao considerar o resultado acumulado desde janeiro, o rombo das estatais chega a R$ 10 bilhões, bem acima, inclusive, de todo o ano de 2025, quando ficou em R$ 5,9 bilhões.O deficit crescente de algumas estatais é monitorado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou em um relatório com dados de todo o ano de 2025 que o problema é ainda mais grave no caso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), os Correios, e nas que operam com energia nuclear, como a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).Leia também: B3 perde R$ 734 bilhões em um único pregão, quase uma PetrobrasVale destacar que o cálculo do BC não considera empresas que possuem participação no mercado privado, como a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos.
Entre os exemplos de estatais que integram a pesquisa, estão os Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.No relatório recente do TCU, a Corte de Contas identificou que os aportes de capital realizados pelo Tesouro Nacional nessas empresas foram efetivados em valores bem maiores às necessidades dos projetos, em uma análise feita com base nos últimos 15 anos.
Para o relator do processo, ministro Benjamin Zymler, os aportes eram feitos também sem observar a capacidade financeira real dessas estatais.A análise concluiu que a trajetória de liquidez, rentabilidade e endividamento das estatais revela “risco fiscal crescente”, sobretudo em relação às empresas com passivos significativos ou em processo de reestruturação.Deficit no setor públicoAlém das empresas estatais, o relatório divulgado pelo Banco Central ainda constatou, no último mês, um deficit de R$ 5,5 bilhões do setor público consolidado, que considera União, estados, municípios e empresas estatais não financeiras no mesmo cálculo.
No ano, o rombo chega a R$ 94,3 bilhões, enquanto, no acumulado de 12 meses, o resultado é negativo em R$ 70,1 bilhões. Leia também: Prejuízo líquido dos Correios sobe no 1º semestre, mas cai no 2º trimestreAo considerar apenas o governo central, houve superavit de R$ 3,5 bilhões em setembro, mas um resultado negativo de R$ 93,6 bilhões desde o início do ano.
Nos últimos 12 meses, o deficit é de R$ 52,7 bilhões. Já no caso dos governos regionais, o acumulado anual ainda é positivo em R$ 10,7 bilhões, mesmo com um rombo de 5,6 bilhões no último mês.O BC também aponta que os juros nominais do setor público consolidado avançaram de R$ 84,7 bilhões, em setembro de 2025, para R$ 107,5 bilhões no mesmo mês deste ano.
No acumulado dos últimos 12 meses, o resultado também indica aumento dos juros, com R$ 1,2 trilhões até setembro de 2026, ante R$ 984,8 bilhões no período imediatamente anterior. Saiba Mais Economia Goveno paga R$ 18,6 bilhões em subvenções aos combustíveis até outubro Economia Deficit do governo central chega a R$ 90 bi no acumulado de 2026, indica Tesouro Economia Reforma tributária: setor produtivo defende ajuste do cronograma de implementação Economia Acordo Mercosul-UE aumenta em 21% exportações brasileiras a bloco europeu
Correio Brazilliense