A gerente-executiva da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, Giuliana Garcete, reconheceu que há alguma apreensão sobre possíveis efeitos da crise do ueno bank e do pedido de impeachment do presidente Santiago Peña na economia, mas disse que os problemas na instituição financeira não afetam empresários com operação no país.
Ela defendeu que este foi um caso isolado e o sistema financeiro tradicional paraguaio permanece sólido. Além disso, a rapidez com que a questão tem sido conduzida — tanto no início de pagamento dos depósitos quanto na prisão dos envolvidos — d certa confiança nas instituições, na sua avaliação.
“Há apreensão porque esse tipo de situação paralisa o comércio e a economia. E tivemos disparada do dólar essa semana, o que prejudica os negócios.
[...] O que o ueno fez foi bancarizar pessoas que não tinham conta bancária, principalmente os ‘cuentapropistas’ [trabalhadores por conta própria]. Hoje, a situação do ueno não afeta a grande população industrial ou empresarial, que opera com as instituições tradicionais”, afirmou.
Nos últimos anos, muitas empresas brasileiras abriram operações no Paraguai para aproveitar a chamada Lei da Maquila, que garante imposto de exportação de 1% para quem atender ao critério de 60% de matéria-prima nacional ou do Mercosul. A Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai reúne hoje cerca de 40 empresas, segundo Garcete, mas muitas mais passaram a operar no país como complemento da produção no Brasil.
Em conversas com as companhias associadas, apenas uma, do segmento de tecnologia, reportou uma perda de cerca de R$ 40 mil com o ueno. “Mas o dinheiro só estava no ueno enquanto a conta numa instituição tradicional não era aberta.
As empresas não têm contas. E esse valor está dentro do limite protegido”, disse, sem revelar a companhia.
Pelas regras do banco central do Paraguai, depósitos de até 75 salários mínimos estão protegidos por um fundo garantidor e serão devolvidos aos clientes. Os primeiros reembolsos foram pagos nesta quinta-feira (5).
O dólar, que no início da semana era cotado a 5.800 guaranis (cerca de R$ 5,10), subiu para 6.700 guaranis (cerca de R$ 5,90) nesta sexta-feira (6), segundo ela. Isso afeta principalmente o comércio do Paraguai, que é descrito por ela também como um “hub” de importação.
“O grande fluxo de dinheiro é a importação de produtos, como eletrônica, informática, perfumaria, com as lojas em Ciudad del Este, que fica na tríplice fronteira. Mas hoje são marcas renomadas.
A fama de muamba ou falsificado ficou para trás”, afirmou. De maneira geral, no entanto, a gerente-executiva da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai tenta minimizar preocupações com a situação: “A garra guarani é muito forte.
Foi sentida a pressão do povo [com protestos nas ruas]. As mudanças eram necessárias.
É importante mencionar que tudo foi feito muito rápido, o que passa confiança”.
Valor