Estados do Pará e Ceará ajudam nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA)
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 , desaparecidos desde as 16h do dia 4 de janeiro seguem pelo 12º dia consecutivo no município de Bacabal (MA). Nesta quinta-feira (15), a equipe de buscas pelas crianças foi reforçada com a presença de 12 bombeiros militares dos estados do Pará e do Ceará.
Mata fechada, inóspita e sem visão do céu: voluntários relatam dificuldades nas buscas por crianças em Bacabal
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Segundo o governador do Maranhão, Carlos Brandão, o estado paraense disponibilizou sete bombeiros e dois cães farejadores e o Ceará, cinco bombeiros e quatro outros cães.
Carlos Brandão via X
Reprodução / Redes Sociais
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP), a força-tarefa em busca das crianças conta com mais de 600 pessoas, entre policiais civis e militares, Força Estadual Integrada, Centro Tático Aéreo (CTA), Corpo de Bombeiros Militar, equipes de Inteligência e Perícia Oficial, Exército, além de voluntários. As equipes utilizam duas aeronaves para sobrevoo da área de mata, além de drones com tecnologia termal para buscas noturnas e outros recursos operacionais.
As bases estão montadas em dois pontos estratégicos: no povoado de São Sebastião dos Pretos, local de residência das crianças; e no povoado Santa Rosa, nas proximidades da mata onde o menino Anderson Kawan, 8 anos, foi encontrado. As duas localidades ficam distantes 20 km da sede do município.
Mergulhadores fazem buscas em lago
Nesta quarta-feira (14), o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão iniciou as buscas subaquáticas em rios e lagos próximos da região em busca de vestígios das crianças. Quatro mergulhadores estão atuando.
O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, compartilhou que o lago limpo, onde os militares atuam, fica a três quilômetros do povoado de São Sebastião dos Pretos, onde as crianças desapareceram. Segundo Costa, as crianças podem ter passado por ali e a força-tarefa na água foi iniciada com os mergulhadores caminhando de um lado para o outro nas regiões mais rasas. Depois, os agentes vestiram cilindros de oxigênio para iniciar as buscas nos locais profundos.
— Durante o dia todo foram as equipes dentro da mata. E agora começou também um trabalho importante que foi o dos mergulhadores. Estão fazendo primeiro a passagem de um lado ao outro dentro do lago, e daqui a pouco eles colocarão cilindros para fazer mergulhos mais profundos. Esse é o trabalho que tá se fazendo incansavelmente em várias frentes para que a gente possa continuar com as esperanças cada vez mais renovadas — destacou o prefeito.
Em paralelo, os bombeiros militares seguem realizando a varredura na região utilizando um aplicativo de geolocalização, que permite o mapeamento das rotas percorridas pelas equipes, além da localização imediata de agentes ou voluntários em caso de afastamento do grupo.
A partir da utilização do aplicativo, os bombeiros percorrem a área aproximada de 54 km², sendo que, até o momento, mais de 60% foram verificadas a partir de uma divisão em quadrantes, que efetua uma varredura minuciosa na mata que é densa, com várias trilhas, vegetação fechada e de difícil acesso.
Entenda o caso
Os irmãos Ágata Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, seguem desaparecidos desde as 16h de domingo (4), após saírem para brincar no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão, acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8, encontrado no dia 7 janeiro.
Segundo a prefeitura de Bacabal, o menino apresentava escoriações no corpo compatíveis com o período em que permaneceu perdido na mata. A Secretária de Segurança Pública do estado informou que entre os trabalhos em andamento com Wanderson Kauã, estão as perícias psicológica e social conduzidas por equipe do Instituto de Perícia da Criança e do Adolescente (IPCA).
De acordo com o governador do Maranhão, o menino não sofreu violência sexual durante o período em que ficou desaparecido na mata.
Recompensa de R$ 20 mil, Exército e batalhão ambiental
Os esforços para a localização dos irmãos também contam com a participação de militares do Exército, policiais militares do Batalhão Ambiental do Maranhão e com uma recompensa no valor de R$ 20 mil oferecida pelo prefeito do município, Roberto Costa (MDB).
Costa anunciou nesta sexta-feira uma recompensa no valor de R$ 20 mil para quem fornecer uma "informação correta" sobre a localização de Ágata Isabelle e Allan Michael. O prefeito explicou que, após uma semana de desaparecimento, as buscas entraram "em um momento crucial" e que "cada minuto pode garantir a vida" das crianças.
A força-tarefa na área quilombola, cercada por mata, é composta por Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e pela Força Estadual Integrada de Segurança Pública. O grupo passou a contar também com o apoio do Exército Brasileiro e do Batalhão Ambiental. Nas redes sociais, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, compartilhou a informação.
"Toda ajuda é importante. Os trabalhos seguem sem parar, com técnica e equipamentos adequados, para localizar as crianças e acabar com o sofrimento da família e da comunidade", destacou.
Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão
