Australian Open: Brasileiro ocupa espaço raro no tênis mundial e vira fotógrafo dos bastidores do circuito
Enquanto os principais nomes do tênis mundial disputam partidas sob os holofotes do Australian Open, um brasileiro circula por áreas restritas, longe das arquibancadas e das lentes tradicionais das grandes agências. Aos 37 anos, Felipe Figueiredo consolidou-se, em pouco mais de um ano, como o único fotógrafo do Brasil a acompanhar de forma contínua o circuito internacional de tênis.
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O espaço é simbólico. Desde a era de Gustavo Kuerten, o Guga, o país não tinha um profissional presente de maneira orgânica no dia a dia dos principais torneios — papel que, nos anos 1990 e 2000, foi ocupado por Marcelo Ruschel, responsável por registrar imagens icônicas da carreira do tricampeão de Roland Garros.
A trajetória de Felipe no tênis é recente e meteórica. Jornalista de formação, ele construiu carreira como fotógrafo no universo da moda, da publicidade e de grandes eventos. A virada aconteceu em 2024, durante os Jogos Olímpicos de Paris, onde atuou como produtor de conteúdo e embaixador de marcas. A experiência despertou a ideia de acompanhar o circuito de tênis de forma independente — uma aposta que começaria poucos meses depois, no US Open.
— Eu estava no US Open e decidi fotografar o João Fonseca, que ainda buscava seu espaço. Fiz um vídeo que viralizou e chegou até a mãe dele, que me conectou com patrocinadores. A partir dali, o que era um investimento pessoal virou minha principal atividade profissional — conta Felipe.
O impacto das imagens chamou a atenção das marcas ligadas ao jovem tenista. Em março de 2025, Felipe passou a ser contratado para acompanhar João Fonseca em torneios como Indian Wells e o Miami Open, trabalhando para empresas como a XP. O diferencial está na abordagem: menos foco na foto protocolar e mais na narrativa visual dos bastidores, herança direta de sua experiência na moda.
Essa estética o levou a trabalhar com nomes do topo do circuito, como Aryna Sabalenka, Matteo Berrettini e Jannik Sinner, além de registrar eventos institucionais, como a premiação da WTA em São Paulo.
Ao longo do último ano, Felipe ampliou sua rede de parcerias, que hoje viabiliza sua presença constante nos grandes palcos do esporte. Na atual cobertura do Australian Open, ele atua em projetos com marcas globais como a ON Running, acompanhando João Fonseca; a ASICS, em ações com atletas como Bia Haddad Maia e Laura Pigossi; e a Fila, na cobertura do duplista Rafael Matos.
Baseado no Rio de Janeiro, Felipe soma cerca de 30 mil seguidores no Instagram, onde compartilha não apenas as imagens finais, mas também processos criativos, bastidores e reflexões sobre o mercado.
