'Essa é a comida do futuro, que as pessoas precisam conhecer': aprenda a fazer três receitas do ORG, restaurante de Tati Lund

 

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Entre muitos bares e alguns restaurantes da Olegário Maciel, no Jardim Oceânico, há 15 anos nasceu um point vegano com uma proposta pouco comum na época: conectar as pessoas com a natureza por meio do prato. Para comemorar a data, o ORG idealizou uma programação com 15 eventos, que vão de jantares temáticos a brunches e coquetéis. O importante, segundo Tati Lund, a chef e fundadora do espaço, é popularizar a causa:

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— O ORG é mais que um restaurante; a gente serve um estilo de vida, mostra que é possível comer de um jeito saudável, sustentável e muito gostoso. A ideia desses 15 anos é comemorar, trazer outras pessoas para esse movimento e mostrar que é possível fazer um negócio assim, ainda mais aqui na Barra.

Crab Cake. Versão do ORG para o prato de siri é feita com “carne” de jaca coberta por maionese de castanha, pepino e aneto e acompanhada de arroz de frutos da terra ao creme de vatapá

Divulgação/Ananda Neves

O start nas comemorações já foi dado: nas últimas semanas, o espaço recebeu um coquetel e um jantar mexicano. A programação segue em 9 de maio, Dia das Mães, com um almoço de menu especial. No dia 17, será a vez de um brunch vegano ao som de jazz. Para o Dia dos Namorados, está previsto um jantar afrodisíaco.

— Apesar de o pessoal achar que a Barra não tem esse perfil, o Jardim Oceânico, principalmente, é um lugar de gente jovem, crianças, famílias, e com a praia aqui na frente. As pessoas têm essa preocupação com sustentabilidade. Acho que estamos aqui para agregar, trazer algo diferente — afirma a chef.

A preocupação com a sustentabilidade vai além do cardápio. No ORG, graças a um sistema eficiente de gestão de resíduos, diz ela, apenas 3% vão para o aterro sanitário. Entre 3% e 4% são destinados à Teiares, cooperativa de coletores que atua em estabelecimentos comerciais e também faz coleta doméstica de lixo reciclável. O restante vai para compostagem.

Para Tati, a proposta do ORG extrapola o empreendimento e forma uma rede de pessoas veganas. Inclusive, além de fidelizar clientes e fazer amigos, foi no restauranteque ela conheceu o marido, que sempre foi vegetariano. A família cresceu: hoje, o casal introduz Caetano, de 2 anos, e Flora, de 3 meses, no estilo de vida que escolheu.

A rede envolve, também, outros chefs. Em um dos brunches programados, por exemplo, a ideia é abrir o restaurante em um domingo — dia em que o estabelecimento normalmente não funciona — para outros cozinheiros veganos. E, até, fazer alguma das comemorações em outros locais:

— Aqui a gente tem a Fátima, do Orgânicos da Fátima, que é muito maravilhosa. Queria levar as pessoas lá para descobrirem isso. Faz muito sentido levar as pessoas para outros lugares, porque a gente é mais do que um negócio que visa ao lucro ou um restaurante; a gente é um movimento que quer ser exemplo de outra mentalidade — pontua Tati.

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O ORG surgiu com o nome .Org Bistrô, em 2011, quando a chef tinha apenas 23 anos. Ela conta que tinha acabado de fazer Nutrição na UFRJ e, depois, foi para Nova York se especializar em veganismo, no Natural Gourmet Institute for Health and Culinary Arts.

ORG. Reforma buscou imprimir elegância e minimalismo ao ambiente, deixando o protagonismo para os pratos

Divulgação/Ananda Neves

De lá para cá, a chef, que ficou mais conhecida do grande público ao apresentar o “Comida.Org”, no GNT, ganhou prêmios e se tornou referência em gastronomia vegana no Rio. Assinou o menu de grandes eventos relacionados a preservação ambiental, como o Re:wild, organização de conservação fundada pelo ator Leonardo diCaprio, e o The Earthshot Prize, prêmio criado pelo príncipe William.

Nascida e criada na Barra, escolheu o bairro para firmar o seu negócio, que, desde o início, funciona na Olegário Maciel, pertinho da praia. Atualmente, o ORG inicia um novo capítulo, reformado e com o nome simplificado, mas todo escrito com letras maiúsculas. A essência continua a mesma: servir pratos com ingredientes sazonais, frescos, orgânicos e de origem vegetal.

— Fomos um dos pioneiros a fazer uma comida elegante e vegana. No início, era só uma lojinha; o estilo era quase infantil, com tudo coloridinho. Depois ampliamos para duas lojas e assumimos um estilo mais rústico. E, na última reforma, apostamos em algo mais elegante, aconchegante e minimalista. É para que o prato seja mesmo o protagonista, sempre colorido e com flores — compartilha a chef.

Ela vê com bons olhos a popularização do veganismo ao longo desses 15 anos, mas faz uma ressalva:

— Acho que quanto mais restaurantes, melhor; os pratos só precisam ser bem feitos, para não aumentar o preconceito das pessoas. Existe comida ruim e comida boa, sendo vegana ou não.

O maior desafio, afirma, é ampliar o alcance do veganismo e transmitir cada vez mais seus princípios. Para ela, essa é a única alternativa no horizonte.

— Essa é a comida do futuro, que as pessoas precisam conhecer e com a qual devem se envolver. Seguir esse caminho é uma necessidade. É ter compaixão pelo planeta, pelos seres humanos, é a tentativa de fazer a subsistência humana dar certo. E é preciso mostrar que é gostoso, sabe? Não é para ser algo difícil e ruim. Existem mudanças que estão fora do nosso controle, mas a alimentação está no nosso dia a dia. Mostrar que é gostoso fazer diferente é muito potente — diz a chef, que aceitou compartilhar com os leitores do GLOBO-Barra três de suas receitas.

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Receitas

Bowl Árabe (4 porções)

Bowl Árabe, receita de Tati Lund, chef do restaurante ORG

Divulgação/Ananda Neves


Ingredientes: Quibe: 1 xícara de quinoa cozida; 1 xícara de abóbora assada; 1 xícara de cebola picada; 2 colheres de sopa de limão; 1/2 xícara de ervas (hortelã, manjericão, salsa); mix de gergelim para envolver; sal e pimenta a gosto. Tabule: 1 xícara de lentilha cozida; 1/2 xícara de pepino em quadradinhos; 1/2 xícara de tomate em quadradinhos; 1/2 xícara de cebola roxa picadinha; suco de limão a gosto; 1/2 xícara de ervas variadas (cebolinha, salsa, hortelã); azeite, sal e pimenta a gosto. Hummus rosa: 2 xícaras de grão-de-bico cozido; 2 colheres de sopa de tahine; 1 beterraba assada; 3 colheres de sopa de limão; 1 dente de alho; 1/4 xícara de azeite; 1 pitada de especiarias (cominho, caiena, coentro ou zaatar); sal a gosto. Bata com água, se necessário.

Modo de preparo:

1. Quibe: Misture a quinoa, a abóbora, a cebola, o limão e as ervas e tempere com sal e na pimenta.

2. Faça o formato que desejar, envolva com gergelim e asse no forno a 200 graus por dez minutos ou até dourar.

3. Tabule: Misture todos os ingredientes e ajuste o tempero.

4. Hummus Tahine: Bata tudo no liquidificador.

Sopa da horta (4 porções)

Sopa da horta, receita de Tati Lund, chef do restaurante ORG

Divulgação/Ananda Neves


Ingredientes: 1 cebola; 2 dentes de alho; 1 cenoura; 2 tomates; 1 xícara de abóbora japonesa; 2 lascas de gengibre; azeite, sal e pimenta a gosto; molho pesto; cebola crocante para finalizar (opcional).

Modo de preparo:

1. Corte todos os ingredientes e refogue na panela.

2. Bata tudo e sirva.

Brownie de cacau com quinoa (12 porções)

Brownie de cacau com quinoa, receita de Tati Lund, chef do restaurante ORG

Divulgação/Ananda Neves


Ingredientes: 150g de farinha de arroz integral; 100g de quinoa em flocos e mais um pouco para polvilhar no final; 150g de cacau em pó; 400g açúcar mascavo; 180g de óleo de coco; 1 xícara de creme de castanha de caju (para fazer, basta bater a castanha com água suficiente apenas para formar um creme).

Modo de preparo:

1. Misture tudo e asse no forno a 180 graus por entre seis e oito minutos.

2. Ainda quente, polvilhe um pouco de quinoa em flocos e sirva imediatamente.

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