‘Espantoso’: super El Niño avança rapidamente e deve atingir pico em dezembro

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O fenômeno climático El Niño está se intensificando em uma velocidade sem precedentes e pode atingir seu pico em dezembro, com temperaturas do oceano Pacífico até 4°C acima da média. A intensidade do evento, já classificado como um super El Niño, aumenta a possibilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado no planeta.

A projeção faz parte de uma análise publicada nesta sexta-feira (6) pelo Carbon Brief, com base em mais de 600 simulações de 14 modelos climáticos e seis conjuntos de dados sobre a temperatura global. O climatologista Zeke Hausfather, responsável pelo levantamento, classificou a evolução do fenômeno como “simplesmente espantosa”.

Continua após a publicidade Segundo ele, a rapidez do aquecimento das águas do Pacífico não encontra paralelo nas medições históricas e pode caracterizar o El Niño mais forte dos últimos mil anos.

O fenômeno começou em junho e já provocou alterações importantes nos padrões climáticos, contribuindo para incêndios florestais na Indonésia e para a formação de tufões de grande intensidade no oeste do Pacífico. Continua após a publicidade

Super El Niño: o que você precisa saber Pacífico registra temperaturas sem precedentes

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma extensa faixa do oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e influencia os regimes de chuva, seca e temperatura em diferentes regiões do planeta.

A intensidade do fenômeno é acompanhada por meio do índice Niño 3.4, que mede a diferença entre a temperatura da superfície do mar e a média histórica em uma área do Pacífico central. Continua após a publicidade

Em 18 de setembro, a anomalia diária nessa região atingiu 3,11°C, superando o recorde da era dos satélites, estabelecido durante o forte El Niño de 2015 e 2016. O mês de setembro também registrou a maior anomalia média mensal desde o início das medições de temperatura da superfície do mar, em meados do século XIX: 2,84°C.

Continua após a publicidade As projeções indicam que o aquecimento continuará nas próximas semanas.

Das 14 ferramentas de previsão analisadas, dez apontam dezembro como o mês de maior intensidade. As outras quatro antecipam o pico para novembro.

A média das 656 simulações indica que a anomalia poderá chegar a aproximadamente 4°C, mais de um grau acima do máximo registrado no episódio de 2015 e 2016. Continua após a publicidade

Apesar da convergência entre os modelos, os números ainda são projeções. A intensidade definitiva dependerá da evolução das temperaturas oceânicas e das condições atmosféricas nas próximas semanas.

Temperatura global pode bater recorde em 2027 O impacto mais significativo do super El Niño sobre a temperatura média do planeta deverá ocorrer no próximo ano.

Isso acontece porque existe um intervalo entre o aquecimento das águas do Pacífico tropical e a resposta da atmosfera global, geralmente estimado em cerca de três meses. A análise projeta que a temperatura média mundial em 2027 poderá ficar 1,74°C acima dos níveis pré-industriais, considerados a referência para medir o aquecimento global.

Com base na relação histórica entre os eventos de El Niño e a evolução das temperaturas, os pesquisadores calculam uma probabilidade de 96% de 2027 superar todos os recordes anteriores. A projeção representa um sinal de alerta para os esforços internacionais de contenção do aquecimento global.

O Acordo de Paris estabelece o objetivo de limitar o aumento da temperatura média do planeta a um patamar bem abaixo de 2°C, com esforços para restringi-lo a 1,5°C. Um ano isolado acima desse limite, entretanto, não significa que a meta de longo prazo tenha sido definitivamente ultrapassada.

O acompanhamento do aquecimento global considera tendências observadas durante períodos mais extensos. El Niño intensifica efeitos das mudanças climáticas

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e recorrente, seus efeitos ocorrem atualmente sobre um planeta que já apresenta temperaturas elevadas devido ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e outras atividades humanas são os principais responsáveis pelo aquecimento global de longo prazo.

O El Niño acrescenta uma elevação temporária à temperatura média, ao favorecer a transferência de calor do oceano para a atmosfera e modificar a circulação do ar. Essa combinação pode ampliar a intensidade de determinados eventos extremos, embora os efeitos variem de acordo com a região e não possam ser atribuídos exclusivamente ao fenômeno.

No Brasil, episódios de El Niño costumam estar associados ao aumento das chuvas no Sul e à redução das precipitações em partes do Norte e Nordeste. A intensidade e a distribuição desses efeitos, porém, dependem também de outros fatores climáticos.

Alterações no regime de chuvas podem afetar a produção agrícola, a geração hidrelétrica, o abastecimento de água e a ocorrência de incêndios florestais. Em escala global, a preocupação envolve a possibilidade de secas prolongadas em algumas regiões e chuvas intensas em outras, com consequências para a segurança alimentar e a infraestrutura.

Fenômeno pode superar recorde histórico Os eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016 estão entre os episódios de El Niño mais intensos já documentados.

O fenômeno de 2026, entretanto, apresenta uma característica incomum. Desde junho, as temperaturas do Pacífico central permanecem acima das observadas nos grandes episódios anteriores, em determinados momentos com diferença de até 1°C.

A intensidade alcançada até setembro e a trajetória projetada para dezembro colocam o evento em uma categoria excepcional. A possibilidade de ser o maior El Niño em mil anos ainda depende de análises adicionais, já que os registros instrumentais abrangem um período muito menor e as estimativas sobre séculos anteriores utilizam indicadores indiretos do clima.

Mesmo assim, os dados atuais indicam um fenômeno extraordinário, com potencial para influenciar as condições meteorológicas de diferentes continentes e contribuir para um novo salto da temperatura média global em 2027. Publicidade

Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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