Espanha x Egito: cantos islamofóbicos entoados no amistoso 'nos envergonham como sociedade', diz governo espanhol

 

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"Os insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade", disse nesta quarta-feira o ministro espanhol da Justiça, Félix Bolaños, no dia seguinte ao amistoso de futebol Espanha x Egito, disputado em Barcelona e marcado por cânticos islamofóbicos.

A partida, que terminou em empate por 0 a 0, ficou manchada pelas vaias ao hino egípcio nos momentos que antecederam o jogo e pelos cânticos de "Quem não pula é muçulmano" durante a primeira metade por parte dos 35 mil torcedores que compareceram ao Estádio Cornellà-El Prat.

A polícia de Barcelona investiga o caso.

"Investigamos os cânticos islamofóbicos e xenófobos de ontem no RCDE Stadium", o estádio do Espanyol, indicou ao mesmo tempo na rede X a polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra.

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A hostilidade já se fazia presente antes mesmo da bola rolar. A execução do hino nacional egípcio foi recebida com vaias por parte da torcida.

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A partida poderia ter sido interrompida, já que os cantos estão previstos no protocolo antirracista da Fifa. Mas o árbitro búlgaro Georgi Kabakov não o acionou e nem recebeu nenhum pedido dos atletas para que o fizesse. Uma mensagem para lembrar que tal prática pode ser objeto de punição foi exibida no telão do estádio e compartilhada nas redes sociais da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), responsável pela seleção.

"A RFEF se soma à mensagem do nosso futebol contra o racismo e condena qualquer ato de violência nos estádios", postou a entidade.

O astro da Espanha Lamine Yamal, que também é muçulmano, enfrenta a marcação do egípcio Islam Issa

Lluis Gene/AFP

Ao se manifestar desta forma, os torcedores espanhóis atacaram a religião não apenas dos egípcios, mas também de uma das maiores estrelas de sua seleção. Lamine Yamal, que estava em campo, segue a religião de seu pai, nascido no Marrocos. Desde o ano passado, o atacante pratica o Ramadã, mês mais sagrado do calendário islâmico, que neste ano foi de 17 de fevereiro a 19 de março.

O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico e é marcado pelo jejum diário obrigatório (sawm) para muçulmanos adultos. Durante as horas de luz, é proibido comer, beber (inclusive água), fumar e manter relações sexuais. O jejum começa após a refeição antes do amanhecer, chamada suhoor, e é encerrado ao pôr do sol com o iftar, momento em que os fiéis voltam a se alimentar.