Esgotamento nas altas dos preços de locação em SP derruba média no país, aponta FGV
Um “esgotamento” em prover reajustes de alta no mercado imobiliário de São Paulo contribuiu para derrubar a média no país, apurada pelo Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar).
A explicação é de Matheus Dias, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) responsável pelo cálculo.
Ele não descarta variações mais “moderadas” para locação no país, nos próximos meses.
Após subir 0,33% em maio, o Ivar aumentou apenas 0,10% em junho, segundo a FGV.
Foi a menor taxa desde julho do ano passado (0,06%).
Com a desaceleração, o resultado acumulado em 12 meses diminuiu de 5,42% para 4,46%, de maio para junho, o mais baixo desde fevereiro de 2026 (4,05%).
Dias detalhou o comportamento de variação de locação em cada uma das quatro capitais pesquisadas para cálculo do indicador.
De maio para junho, houve acelerações em Rio de Janeiro (de 0,34% para 0,35%) e Porto Alegre (de 0,32% para 0,33%); desaceleração em Belo Horizonte (de 0,64% para 0,034%); e retorno à deflação em São Paulo (de 0,22% para -0,19%).
Esse foi o recuo mais intenso, para cidade de São Paulo desde maio do ano passado (-6%).
São Paulo é a capital de maior peso no cálculo do indicador, lembrou Dias.
Assim, qualquer movimento na área de locação paulistana acaba por influenciar de forma determinante o comportamento do Ivar, no mês.
Segundo o economista, após vários meses de aumentos significativos, o mercado de São Paulo pode estar passando por período de ajustes.
Isso ocorre por um movimento de concentração de reajustes menos expressivos, ou novos contratos com preços de locação mais contidos.
Neste cenário, o mercado de locação acaba por operar com menor volatilidade, com taxas próximas a zero – como foi o caso do Ivar de junho.
“Creio que tem ocorrido um ‘esgotamento’ das altas ”, resumiu.
Ao ser questionado sobre se o Ivar pode continuar a desacelerar, o especialista comentou que o resultado de junho sinaliza que a variação do aluguel está a sair “de taxas mais altas, que ocorriam até início do ano passado, a taxas mais moderadas”.
“Creio que [em 12 meses, o Ivar] vai ficar nessa faixa de 4%, 4,5%”, afirmou.
