As 54 escolas municipais de Itajaí que têm salas de recursos multifuncionais receberão kits de peças de Lego para atividades de alfabetização em Braille. O material será utilizado no atendimento a estudantes da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, com atividades que podem reunir alunos com e sem deficiência visual.
A Secretaria Municipal de Educação entregou 170 kits Lego Braille Bricks nesta terça-feira (27), no Centro Municipal de Educação Alternativa de Itajaí (Cemespi). Os materiais foram obtidos por meio de uma parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, instituição que atua no atendimento a pessoas com deficiência visual.
Segundo a secretaria, cada uma das 54 unidades receberá um kit e um manual de orientação. A informação divulgada não detalha a distribuição dos demais conjuntos.
A parceria também prevê um curso gratuito de 100 horas, do qual participam 40 professores. Uma aula presencial ocorreu no Cemespi durante a entrega dos materiais.
Foram disponibilizadas ainda vagas na capacitação para participantes da ADVIR, associação que atende pessoas com deficiência visual na região da Foz do Rio Itajaí. As peças combinam caracteres em Braille com letras do alfabeto convencional.
Com elas, os professores podem desenvolver exercícios de reconhecimento de letras e formação de sílabas, palavras e pequenas frases, além de atividades de construção de imagens. O formato permite que crianças cegas, com baixa visão e videntes utilizem o mesmo material.
A exploração das peças com as mãos trabalha a percepção tátil, a memória e a coordenação motora, utilizadas no reconhecimento dos caracteres e na leitura. De acordo com a supervisora de Educação Especial da secretaria, Simone Barbosa, a busca pela parceria partiu da necessidade de recursos específicos para crianças e adolescentes com deficiência visual atendidos pela rede.
A formação orienta os professores sobre o uso dos materiais no ensino do Braille. Os encontros presenciais também permitem a troca de experiências sobre as atividades desenvolvidas com os estudantes.
A rede municipal dispõe ainda de máquinas de escrever em Braille e impressoras que produzem materiais nesse sistema, utilizadas no atendimento educacional especializado. O Braille é um sistema de leitura e escrita tátil formado por combinações de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas e três linhas.
Essas combinações representam letras, números, sinais de pontuação e símbolos empregados em áreas como matemática e música. A leitura é feita principalmente com as pontas dos dedos.
O sistema foi desenvolvido pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão na infância. Enquanto estudava em uma instituição para jovens cegos, em Paris, ele conheceu um código de pontos em relevo criado pelo militar Charles Barbier para a comunicação durante a noite.
Louis Braille adaptou esse código para a leitura e a escrita e publicou a primeira versão de seu sistema em 1829. Utilizado na alfabetização de pessoas cegas, o Braille permite o contato direto com a representação escrita de letras, palavras e símbolos, também em um contexto de uso de celulares e outros dispositivos com recursos de acessibilidade.
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