Os países em desenvolvimento enfrentarão um déficit de 800 milhões de empregos na próxima década, afirmou na quinta-feira Alexander De Croo, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ele acrescentou que uma transição da ajuda humanitária para o investimento do setor privado poderia auxiliar na criação de postos de trabalho.
De Croo concedeu uma entrevista exclusiva ao “Nikkei Asia” em Bangcoc, onde participava das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Ele atuou como primeiro-ministro da Bélgica de 2020 a 2025, antes de assumir o comando do PNUD, órgão que oferece assistência ao desenvolvimento em mais de 170 países.
Segundo ele, as nações em desenvolvimento enfrentam três desafios: preços elevados de combustíveis, desastres naturais e o aumento dos custos de financiamento.
"A resposta para as águas econômicas turbulentas em que nos encontramos não é a ajuda. Porque a ajuda — você a oferece hoje, mas no mês seguinte precisa oferecê-la novamente, e no mês seguinte, mais uma vez", disse De Croo. "Portanto, o que é necessário são reformas mais fundamentais."
Na terça-feira, o PNUD lançou uma iniciativa para incentivar o investimento privado, por meio de ações como auxiliar países em desenvolvimento a reformar suas estruturas institucionais. De Croo descreveu o papel da agência como a "criação de um fluxo de oportunidades", conectando investidores privados a possibilidades em economias emergentes.
A assistência oficial ao desenvolvimento e outras formas de auxílio devem ser utilizadas para aprimorar o ambiente de investimentos nos países em desenvolvimento, abrindo caminho para o capital privado e o crescimento sustentável, afirmou ele.
A criação de empregos é uma área que suscita preocupação especial.
Na próxima década, espera-se que 1,2 bilhão de jovens ingressem no mercado de trabalho, enquanto "apenas 400 milhões de empregos serão criados. Ou seja, há uma lacuna de 800 milhões", disse De Croo. "Isso é, de certa forma, uma bomba-relógio."
De Croo também mencionou a frequência crescente de desastres naturais, observando que "as mudanças climáticas tornam certos setores inviáveis para investimentos, pois o risco é elevado demais". As economias asiáticas emergentes têm sofrido com inundações e outros desastres nos últimos anos, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de eventos climáticos e meteorológicos cada vez mais graves.
"O seguro pode desempenhar um papel importante", afirmou De Croo, indicando que instrumentos financeiros podem ajudar a gerenciar tais riscos.
Valor