A despedida de um animal de estimação pode deixar um vazio que ultrapassa a ausência física. Foi o que Rafa Kalimann expôs ao compartilhar com os seguidores a morte de Alfredo, golden retriever que fez parte de sua família por cerca de oito anos. Ao falar sobre o adeus, a influenciadora definiu o que sentia como "uma dor muito diferente" e relembrou a relação de companheirismo construída ao longo da convivência. Já viveu o luto pela morte de um pet? Saiba como enfrentar a dor da perda ainda não reconhecida socialmente Seu pet não é gente: veja quando os cuidados de luxo podem ser prejudiciais à saúde do animal Saiba: Por que o termo 'mãe de pet' ainda divide opiniões O relato se soma a outras despedidas recentes que ganharam espaço nas redes sociais. Em junho, Tatá Werneck contou ter enfrentado dificuldades para cumprir a agenda de gravações depois da morte de um de seus cachorros. Em agosto, Angélica e Luciano Huck lamentaram a partida de Obama, cão da família, enquanto Junno Andrade e Xuxa se despediram de Theozinho. A repercussão desses relatos também chama atenção para uma experiência que ainda costuma ser minimizada: por que a morte de um pet pode provocar uma reação emocional tão profunda? Segundo o psiquiatra especialista em Psiquiatria Infantil Tales Vilela, a intensidade da reação está diretamente ligada ao vínculo construído ao longo dos anos. Para quem convive diariamente com um cachorro ou gato, a presença do animal se incorpora à dinâmica da casa e à própria rotina. "Para muitas pessoas, o animal não ocupa um lugar periférico dentro da casa. Ele participa da rotina, acompanha momentos importantes, oferece companhia e passa a fazer parte da dinâmica afetiva da família. Quando esse animal morre, não se perde apenas o pet. Existe também a ausência daquela presença cotidiana, dos horários, dos hábitos e das pequenas interações construídas durante anos. Por isso, o sofrimento pode ser muito intenso e precisa ser respeitado", explica. Por que dizer 'era só um cachorro' pode piorar a situação Em momentos de despedida, frases como "era só um cachorro" ou "você pode ter outro" podem ser ditas na tentativa de consolar, mas acabam desconsiderando o significado daquela relação. O vínculo não deixa de ser importante porque envolve um animal. Para Tales, também não faz sentido estabelecer uma espécie de escala entre diferentes tipos de perda. Cada pessoa vivencia o processo a partir da importância que aquela relação tinha em sua vida. "O luto não precisa de uma hierarquia para ser legítimo. O sofrimento está relacionado ao significado daquele vínculo para a pessoa. Quando alguém perde um animal com quem conviveu diariamente durante dez ou quinze anos, é natural sentir tristeza, saudade e até perceber mudanças importantes na rotina. Dizer que é 'só um animal' pode aumentar a sensação de solidão justamente em um momento em que essa pessoa precisa ser acolhida", afirma o psiquiatra. Luto por um pet: por que a morte de um animal pode causar tanta dor Magnific Como falar sobre a morte de um pet com crianças Quando há crianças na família, a despedida pode ganhar outra camada de complexidade. Para algumas delas, a morte de um cachorro ou gato representa o primeiro contato concreto com a ideia de finitude. Nesse momento, evitar o assunto ou criar explicações confusas pode dificultar a compreensão do que aconteceu. O especialista recomenda uma conversa adequada à idade, com espaço para perguntas e manifestações de tristeza. "É importante conversar de acordo com a idade e a capacidade de compreensão da criança, usando uma linguagem clara e acolhedora. Ela precisa saber que pode sentir tristeza, fazer perguntas e falar sobre o animal. Criar um pequeno ritual de despedida, guardar fotografias ou recordar histórias felizes pode ajudar a criança a compreender que aquele vínculo continua fazendo parte de sua história, mesmo depois da perda", orienta Tales. Existe um tempo certo para superar a morte de um animal? Não há um prazo determinado para reorganizar a vida depois da partida de um pet. Enquanto algumas pessoas conseguem retomar a rotina em pouco tempo, outras precisam de semanas ou meses para elaborar a ausência. Mais importante do que estabelecer um calendário é observar o impacto que a tristeza passa a ter no cotidiano. Quando o quadro permanece muito intenso e interfere de maneira significativa na vida, pode ser hora de buscar ajuda. "Não devemos estabelecer um calendário para o luto. Mas, se com o passar do tempo a pessoa permanece profundamente incapacitada, deixa de realizar atividades, apresenta alterações importantes de sono e alimentação, isolamento persistente ou sofrimento emocional muito intenso, é importante procurar ajuda profissional. A perda do pet pode também se somar a outras vulnerabilidades que já existiam", alerta o médico.
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'Era só um cachorro': por que a morte de um pet pode provocar um luto tão intenso
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