Entre treinos, faculdade e trabalho, Jackson Martins se prepara para o Sul-Americano da CBJJ

Entre treinos, faculdade e trabalho, Jackson Martins se prepara para o Sul-Americano da CBJJ - Foto
Fonte da notícia: Extra Extra

Jackson Martins da Silva chega ao Sul-Americano da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ), neste sábado, dia 12, acostumado a disputar espaço na agenda antes mesmo de entrar no tatame. Aos 30 anos, o faixa-roxa da Brigadeiro Brazilian Jiu-Jitsu cursa o sétimo período de Educação Física, trabalha como motorista de aplicativo e treina duas vezes por semana. No Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, ele competirá sem kimono na categoria Master 1, peso-leve, até 79 quilos. A rotina de Jackson costuma começar cedo. Por um período, ele saía para dirigir às 3h e encerrava as corridas por volta das 7h, antes de seguir para a faculdade. Os riscos encontrados durante as madrugadas fizeram com que passasse a trabalhar também durante o dia. À tarde, cumpre estágio e aproveita a academia onde trabalha para fazer musculação. O jiu-jitsu precisa ser encaixado entre esses compromissos. A experiência de administrar tantas atividades acabou encontrando espaço também na vida acadêmica. Jackson é autor do artigo “Estado do Conhecimento sobre a Dupla Carreira no Futebol: examinando investigações entre 2014 e 2023”. O estudo analisou 23 trabalhos acadêmicos sobre a relação entre formação esportiva e escolarização de jovens jogadores. Embora o objeto seja o futebol, parte das questões levantadas pela pesquisa está presente no cotidiano do próprio autor. O artigo aborda obstáculos provocados pela sobreposição dos compromissos esportivos e educacionais e discute a necessidade de condições que permitam ao atleta seguir nas duas trajetórias. Jackson acrescenta a esse cenário a necessidade de trabalhar enquanto tenta construir espaço no esporte. “Através dessa conciliação, eu descobri que o atleta consegue, sim, conciliar os estudos e o esporte que vivenciamos", afirma. O esforço para permanecer nas competições já rendeu resultados. Como faixa-roxa, Jackson foi campeão da Copa Alfa Barra no peso pesado e vice no absoluto, conquistou o segundo lugar no Hélio Gracie No-Gi, o bronze no Campeonato Brasileiro Sem Kimono da CBJJ e o vice-campeonato no Rio Fall Open da IBJJF. Também venceu o Fight for Life e chegou ao pódio no Grand Slam da AJP. A medalha de bronze no Grand Slam é apontada por ele como o resultado de maior peso na trajetória até agora. Jackson perdeu a semifinal, mas voltou ao tatame para vencer a disputa pelo terceiro lugar. A participação teve um significado particular porque disputar o torneio estava entre seus objetivos no jiu-jitsu. O caminho até esse resultado teve períodos de dúvida. Jackson relata que foi desacreditado por colegas e chegou a ouvir que não tinha nível para competir. Em sua primeira luta na faixa-roxa, sofreu uma luxação depois de ser finalizado e chegou a pensar que não voltaria às competições. Os pódios vieram posteriormente, já na graduação que mantém há cerca de cinco anos. Foi também em um momento de incerteza sobre a continuidade no esporte que Jackson recebeu apoio dos irmãos Leonardo e Rafael Picciani, deputados federal e estadual, respectivamente. Segundo ele, a ajuda com inscrições permitiu ampliar o calendário de competições e participar do Grand Slam da AJP. O atleta também chegou ao professor Wandinho Reis e passou a integrar a Brigadeiro Jiu-Jitsu. “Eu até pensei em largar o jiu-jitsu, mas a família Brigadeiro me abraçou. Vou para cima mesmo sabendo das dificuldades de treinar pouco e conciliar esporte, estudos e trabalho. Meu maior objetivo neste momento é conquistar a faixa-marrom e disputar campeonatos internacionais fora do Brasil. Por isso, sou muito grato aos professores mestre Eduardo Brigadeiro, Wandinho Reis e Magno Mota, afirma.", diz Jackson. O apoio recebido pelo competidor dialoga com outro ponto de sua pesquisa. O artigo trata a dupla carreira como uma responsabilidade que não fica restrita ao atleta e aponta a participação de famílias, instituições de ensino e organizações esportivas na criação de condições para que a formação acadêmica não seja interrompida pela atividade esportiva. Na trajetória de Jackson, essa rede aparece em outra configuração, envolvendo universidade, equipe e pessoas que ajudam a viabilizar sua presença nas competições. Depois do Sul-Americano, ele já tem outro compromisso marcado. No dia 26 de setembro, pretende competir no ADCC, em Petrópolis. Para o restante de 2026, planeja chegar a cerca de dez campeonatos e buscar a faixa-marrom. No horizonte estão ainda o Mundial Master e, futuramente, a possibilidade de competir no UFC BJJ.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Extra