“Entramos no ritmo da máquina, que não é o humano. E isso traz uma sobrecarga horrível”, alerta especialista em IA

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

A inteligência artificial está permitindo que profissionais realizem mais tarefas em menos tempo. Mas a aceleração também pode ter um efeito colateral: fazer com que as pessoas tentem acompanhar um ritmo de trabalho que não é compatível com a capacidade humana. O alerta é de Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e especialista em inteligência artificial. Em entrevista ao NegNews, podcast de Época NEGÓCIOS, ele analisou o atual mometo da corrida pela IA, marcado por uma sucessão de novos modelos, avanço dos agentes, investimentos bilionários e uma disputa cada vez mais intensa entre Estados Unidos e China. “Eu estou trabalhando tanto com a IA que começo a fazer muito mais tarefas do que cognitivamente eu seria capaz de lidar”, diz. É nesse processo, segundo Cortiz, que surge o risco de tentar acompanhar a velocidade da tecnologia. “Eu entro no ritmo da máquina, que não é o ritmo do humano. E isso traz uma sobrecarga horrível, péssima para nós.” O aumento do volume de entregas, acrescenta, também não significa necessariamente um aumento proporcional da qualidade. “A gente acha que está ganhando produtividade. A gente consegue até entregar um volume maior de trabalho, de entregas, só que, quando isso é avaliado, muitas vezes nem está na qualidade desejada.” Para Cortiz, esse debate acontece justamente quando as empresas começam a entrar em uma etapa mais madura da adoção da inteligência artificial. Depois de uma fase de experimentação, as companhias passam a avaliar com mais cuidado onde a tecnologia realmente traz resultados. “Acho que a gente está caminhando para um cenário onde vai separar o que é hype do que de fato vai trazer mudanças”, afirmou. Segundo ele, as empresas “já experimentaram, viram que dá para criar boas soluções”, mas também perceberam que tentar colocar IA indiscriminadamente em todos os processos pode significar muito gasto sem o retorno esperado. Essa busca por eficiência também aparece na própria corrida dos modelos. Cortiz ressalta que não existe necessariamente um único modelo soberano: diferentes sistemas podem apresentar vantagens dependendo da tarefa e, principalmente, do custo. “Às vezes você consegue abrir mão de uma capacidade que é um pouquinho maior e consegue economizar um montão de dinheiro”, disse. China precisa entrar na conta Outro ponto destacado pelo professor é o avanço da China. Para Cortiz, analisar a corrida global da inteligência artificial olhando apenas para empresas americanas como Anthropic e OpenAI significa deixar de fora uma parte cada vez mais relevante da disputa. “A China está voando muito rápido”, afirmou. Embora o país ainda enfrente um gargalo na área de semicondutores, Cortiz avalia que a distância vem diminuindo rapidamente. “Quando olhamos a médio e longo prazo, vemos que a China vai ser, sim, uma grande fornecedora de semicondutores para o resto do mundo.” Na entrevista, Cortiz também discute a corrida pelos modelos mais avançados, o debate sobre inteligência artificial geral (AGI), a explosão dos agentes de IA, os riscos de segurança associados ao avanço da tecnologia e a capacidade das empresas do setor de transformar investimentos bilionários em retorno financeiro. Confira o episódio completo do NegNews abaixo: Mais Lidas

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