Entenda por que a OMS publicou diretrizes para tratar a obesidade infantil e em quais casos as canetas podem ser usadas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou suas primeiras diretrizes para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes diante do avanço da doença entre esse público na última quarta-feira (7). Segundo a entidade, a proporção de meninos e meninas com obesidade quadruplicou desde os anos 1990 e chegou a 8% atualmente. Em 2014, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos já viviam com a doença em todo o mundo. Enfisema: Entenda a doença de Pedro Bial, causada pelo cigarro Sarampo: Brasil intensifica ações diante do avanço de casos nos EUA e nas Américas As novas recomendações estabelecem diferentes abordagens de acordo com a idade e incluem, pela primeira vez, a possibilidade de utilização de medicamentos no tratamento de adolescentes. Entre eles estão os análogos do hormônio GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. No entanto, Luz Maria de Rejil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da entidade, ressaltou que os países precisam se esforçar para fazer com que tratamentos sejam mais acessíveis.

— Os países também precisam criar ambientes que tornem a alimentação saudável e a atividade física acessíveis e viáveis ​​financeiramente. Garantindo, ao mesmo tempo, que crianças e adolescentes que já vivem com obesidade tenham acesso a cuidados de alta qualidade, livres de estigma e discriminação — afirmou a especialista. Quando as canetas podem ser usadas? A OMS não recomenda que medicamentos sejam utilizados indistintamente por crianças e adolescentes com obesidade. Para a faixa de 0 a 9 anos, a orientação é priorizar intervenções estruturadas envolvendo alimentação saudável, atividade física e mudanças comportamentais, com acompanhamento multidisciplinar. A partir dos 10 anos, medicamentos para controle do peso, incluindo os análogos de GLP-1, podem ser considerados em determinados casos. A recomendação, porém, é que isso ocorra somente quando um programa supervisionado e multimodal de mudança de estilo de vida não tiver produzido os resultados esperados. As diretrizes não estabelecem uma recomendação específica para as canetas de GLP-1. A classe aparece ao lado de outros medicamentos que podem ser utilizados no tratamento da obesidade, incluindo remédios que atuam na absorção de gordura pelo intestino e no controle dos níveis de açúcar no sangue. A OMS também ressalta que ainda existem questões em aberto sobre o uso dos medicamentos, como o tempo pelo qual devem ser utilizados, os efeitos associados ao tratamento e a manutenção da dosagem depois da perda de peso. A entidade afirma que acompanha os resultados de novos estudos sobre o tema. A cirurgia bariátrica também pode ser considerada para adolescentes de 10 a 19 anos, mas apenas em condições rigorosas e nos casos de obesidade grave. Tratamento precisa ser acessível Para a OMS, o aumento da obesidade infantil exige uma resposta que vá além da prescrição de medicamentos. Rejil afirmou que crianças e adolescentes com obesidade precisam ter acesso a tratamentos eficazes, baseados em evidências e centrados na pessoa. — A dimensão do desafio é significativa — disse Rejil durante uma coletiva de imprensa. A especialista também destacou que os países precisam criar condições para que alimentação saudável e atividade física sejam opções acessíveis e financeiramente viáveis. Ao mesmo tempo, crianças e adolescentes que já vivem com obesidade devem ter acesso a cuidados de qualidade, sem estigma ou discriminação. A dimensão do problema ajuda a explicar a preocupação da entidade. Dos 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos que viviam com obesidade em 2014, cerca de 70 milhões tinham entre 5 e 9 anos, enquanto mais de 100 milhões eram adolescentes de 10 a 19 anos. Prevenção também é prioridade As novas diretrizes são voltadas principalmente ao tratamento de crianças e adolescentes que já têm obesidade, mas a OMS afirma que reduzir o número de casos exige mudanças mais amplas. Laurence Grummer-Strawn, chefe da Unidade de Nutrição e Segurança Alimentar da organização, defendeu ações envolvendo escolas, restrições ao marketing de alimentos e bebidas não saudáveis e até a adoção de impostos sobre produtos que contribuem para o aumento da obesidade. A avaliação da OMS é que medidas desse tipo podem ajudar tanto a prevenir novos casos quanto a melhorar as condições de vida de crianças e adolescentes que já convivem com a doença. O tratamento, portanto, deve combinar acompanhamento médico, mudanças de estilo de vida e, quando necessário e indicado individualmente, medicamentos.

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