Engenharia brasileira ganha espaço global após a IPC em Calgary, avalia Paulo Roberto Gomes Fernandes
De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, o encerramento da International Pipeline Conference (IPC), realizada em Calgary, reforçou sinais de mudança no posicionamento da engenharia brasileira no mercado internacional de midstream. A edição mais recente do encontro reuniu operadores, fornecedores e especialistas em infraestrutura energética em um contexto de expansão de projetos em ambientes cada vez mais desafiadores.
Para o executivo, o ambiente do evento evidenciou a crescente busca por tecnologias capazes de operar com segurança em condições geológicas extremas. Nesse sentido, a presença brasileira em fóruns técnicos internacionais indica um movimento gradual de inserção em projetos de alta complexidade.
Demanda por soluções em túneis de grande extensão
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, um dos temas recorrentes nas discussões técnicas da conferência foi a limitação operacional em lançamentos de dutos em túneis extensos. O executivo observa que esse gargalo tem mobilizado empresas e operadores em diferentes regiões do mundo.
Nesse cenário, ele aponta que sistemas desenvolvidos para reduzir atrito e ampliar o controle operacional vêm despertando interesse. Conforme explica, a previsibilidade em travessias subterrâneas tornou-se fator decisivo em projetos de grande porte, sobretudo onde há restrições geológicas relevantes.
Projetos internacionais entram no radar do setor
As consultas registradas durante a IPC, conforme relata Paulo Roberto Gomes Fernandes, indicam que o interesse do mercado está distribuído por diferentes frentes geográficas. Entre os focos mais mencionados estão iniciativas na Ásia, no Norte da Europa e no Oriente Médio.
Estudos envolvendo travessias subterrâneas de longa distância na região do Himalaia aparecem entre os projetos observados pelo mercado. Há também movimentações em países como Noruega, Arábia Saudita e Jordânia, voltadas ao lançamento de dutos de grande diâmetro.
Na Ásia Central, iniciativas de interligação energética envolvendo o Turcomenistão também figuram entre os empreendimentos acompanhados por operadores. Em comum, esses projetos exigem soluções capazes de manter desempenho estável em condições logísticas e geológicas adversas.
Reconfiguração do mercado norte-americano
Apesar de pressões regulatórias e ambientais, o ambiente percebido em Calgary foi de cauteloso otimismo, avalia Paulo Roberto Gomes Fernandes. Segundo ele, projetos relevantes na América do Norte seguem avançando em diferentes estágios de maturação. Entre as iniciativas observadas pelo setor estão movimentações relacionadas à expansão do Trans Mountain, estudos conduzidos pela Enbridge para substituição de trechos dutoviários em túneis e o avanço do projeto Woodfibre LNG rumo à decisão final de investimento.
Na análise do executivo, um dos pontos mais monitorados pelo mercado é a capacidade operacional de sistemas de lançamento em longas distâncias. Ele afirma que soluções capazes de manter movimento contínuo e controlado tendem a ganhar espaço à medida que os projetos se tornam mais complexos.
Perspectivas para a engenharia brasileira
A participação na IPC em Calgary amplia a visibilidade da engenharia brasileira no segmento de infraestrutura energética. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a tendência é de crescimento gradual da presença nacional em projetos que exigem alto nível de especialização. Ele avalia que os próximos anos devem registrar aumento da demanda por sistemas automatizados de lançamento e por tecnologias voltadas à mitigação de riscos operacionais e ambientais.
Caso esse cenário se confirme, a engenharia brasileira poderá ampliar sua inserção em empreendimentos desenvolvidos em ambientes extremos. O movimento observado na conferência sugere uma mudança estrutural no setor, marcada pela busca por eficiência técnica e maior previsibilidade em obras de grande complexidade.
