Energia mais barata deve frear prévia da inflação em outubro, apontam projeções

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A prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15, deve apresentar uma desaceleração no mês de outubro, impulsionada pela queda nos custos de energia elétrica, segundo estimativas dos economias. Mas os preços dos alimentos in natura e dos combustíveis devem continuar pressionando o indicador, sob o impacto do El Niño e da guerra no Oriente Médio. O dado oficial será divulgado nesta sexta-feira (23).As projeções do mercado apontam um IPCA-15 variando entre 0,40% e 0,49%, percentual menor que o 0,70% registrado em setembro. O Banco BV estima uma alta de 0,40% no IPCA-15 de outubro. A Warren projeta 0,41%. O banco Daycoval aguarda um avanço de 0,43%. O Bradesco prevê 0,45%,  SulAmerica Investimentos estima alta de 0,46%, enquanto o ASA tem uma projeção de 0,49%. A Suno Research, embora não faça projeções fechadas para o índice, estima qualitativamente uma alta “possivelmente acima de 0,4”.Leia também: “Lua de mel” com a inflação acabou e BC deve cortar Selic “cautelosamente”, diz XPO peso da energia elétricaA principal âncora para a inflação neste mês é o grupo Habitação. Segundo a Warren, o grupo contará com um alívio de 0,12%, viabilizado por um recuo de 1,10% na energia elétrica graças à vigência da bandeira tarifária verde. O economista Leonardo Costa, do ASA, pontua que a inflação de energia elétrica está se normalizando após a aplicação do bônus de Itaipu, o que é a principal fonte de desaceleração. O banco Daycoval também cita a transição da bandeira amarela para a verde e o fim dos descontos de Itaipu como justificativas para a deflação do item.El Niño encarece a feiraSe a luz traz alívio, a alimentação no domicílio deve sentir a alta de preços, puxada pelos itens in natura. De acordo com o Bradesco, os preços dos alimentos devem registrar a maior variação desde o mês de maio, devido aos efeitos do fenômeno climático El Niño. Andréa Angelo, estrategista de inflação Warren Investimentos, projeta que o grupo Alimentação e Bebidas voltará a acelerar, com uma alta de 0,96%, sendo os itens in natura responsáveis por uma pressão de 6,10%.“Em nossa avaliação, essa alta nos alimentos reflete a quantidade de chuva bem acima da normalidade, possivelmente influenciada pelo El Niño, impactando diretamente os alimentos frescos”, afirma Gabriel Pestana, economista da Genial. “Esse fator é amplificado pela forte aceleração do preço da arroba do boi nos mercados pecuários, diante de uma retração dos abates, maior retenção de fêmeas e possível queda nos estoques”, diz.Transportes pesam no bolsoA despesa com locomoção é outro peso no bolso devido às flutuações do petróleo no mercado internacional. A Warren projeta alta de 0,44% em Transportes, influenciada pelo aumento de 3,50% nas passagens aéreas e pelos reajustes de combustíveis: gasolina (+0,35%), etanol (+3,80%) e diesel (+4,89%). Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reforça que dinâmicas globais, como o conflito no Oriente Médio, continuam pressionando derivados de petróleo, a exemplo do diesel e do querosene de aviação.Segundo Pestana, da Genial, o governo federal ampliou a redução dos impostos para tentar conter o repasse dos preços às bombas, mas, até setembro, a medida não tinha tido o efeito esperado. A alta dos combustíveis, especialmente o diesel, também impacta o custo do frete, que pesa na maioria dos setores de produção.Cenário para os juros e meta de 2026Apesar da trégua pontual no IPCA-15, o horizonte anual segue fora da meta. O acumulado em 12 meses deve se manter em patamar elevado, variando de 4,70%, segundo o Daycoval, e 4,71%, para Banco BV e Warren. O indicador pode subir até 4,80%, para o ASA, e 4,83%, na avaliação da Genial. A meta da inflação é de 3%, com tolerância de até 4,5%.Com um balanço de riscos “assimétrico altista” e serviços subjacentes ainda pressionados, as estimativas para o IPCA fechado de 2026 superam esse teto da meta. O ASA projeta que o ano terminará com inflação em 5,10%. O Daycoval, citando a probabilidade de eventos climáticos intensos no segundo semestre, revisou sua estimativa para 5,0%. Já a Suno projeta o indicador encerrando o ano entre 5,1% e 5,2%.A persistência da inflação em itens intensivos em mão de obra e o cenário global trazem complexidade à política monetária. Segundo Sung, isso traz “pouca flexibilidade” para o Banco Central continuar o ciclo de corte de juros, atualmente em 13,75%. Energia mais barata deve frear prévia da inflação em outubro, apontam projeções

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