Às vésperas do Enem, quando a preparação para as provas entra na reta final, especialistas recomendam que as famílias ajudem os estudantes a chegar ao exame, nos próximos dias 8 e 15, descansados e confiantes. O apoio passa por reduzir a pressão, preservar a rotina de sono e alimentação e resolver questões práticas, como transporte e documentos, para que os adolescentes possam se concentrar no que importa: as provas.
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— O papel da família agora é, antes de tudo, apoiar e acompanhar. Isso significa motivar e incentivar, principalmente nos momentos de cansaço e desânimo, muito comuns nesta fase.
Um pouco de ansiedade é natural. O problema é quando ela passa a paralisar o estudante — diz Lucas Vieira, diretor pedagógico do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino.
O apoio começa pela postura dos próprios adultos. Comentários preocupados, perguntas insistentes sobre notas e comparações com colegas ou parentes podem aumentar a pressão.
Transmitir calma e confiança, ao contrário, ajuda o adolescente a lidar com as expectativas sem sentir que precisa corresponder também aos temores dos pais. Sono não é tempo perdido
Aos 17 ou 18 anos, mesmo com mais autonomia, os estudantes ainda podem precisar de ajuda para preservar hábitos saudáveis. Dormir pouco prejudica a concentração, o raciocínio e a memória, além de dificultar o controle emocional.
A recomendação médica é de oito a dez horas de sono por noite, com horários regulares e menos exposição às telas antes de dormir. Alimentação equilibrada e boa hidratação merecem atenção.
Nervosismo é esperado diante de uma prova tão importante, mas mudanças persistentes de comportamento, como crises frequentes de choro e irritabilidade, precisam ser observadas. Se houver sofrimento intenso, pode ser preciso atendimento psicológico.
Ouvir o filho, reconhecer seu esforço e evitar conflitos em casa são atitudes que ajudam a atravessar os últimos dias com mais equilíbrio. Para Idamis Tatiana Cândido, psicóloga do Colégio Leonardo da Vinci, do Rio Grande do Sul, previsibilidade e acolhimento são mais eficazes do que discursos para tentar afastar a ansiedade.
— Nesta reta final, ajuda muito manter horários estáveis para acordar, comer e dormir e oferecer ao adolescente um ambiente seguro, afetivo e tranquilo. Mesmo com a intenção de ajudar, perguntar a todo momento quanto o filho estudou ou supervisionar cada passo pode aumentar a pressão.
Uma pergunta mais útil agora é: “Como posso te ajudar hoje?” — sugere. O cuidado também importa durante o exame.
Uma discussão em casa pode continuar ocupando os pensamentos do estudante e tirar sua atenção das questões. Idamis ressalta a diferença entre demonstrar expectativa e transformar o resultado em obrigação.
— Dizer “quero muito que você vá bem e vou estar com você qualquer que seja o resultado” mostra ao filho que ele tem apoio. Já “eu não vou aceitar menos que isso” coloca sobre ele também o peso da reação dos pais — compara.
Apoio concreto O apoio familiar pode ser concreto.
Conferir datas e horários, separar documentos e materiais, verificar o local de prova e planejar transporte são providências que reduzem a carga mental do jovem. A orientação é de Christiane Heitor, psicopedagoga do Colégio Matriz Educação:
— Não significa fazer tudo por ele, mas ajudá-lo a não precisar administrar sozinho todas essas preocupações. Também não é recomendável fazer grandes mudanças na rotina ou experimentar estratégias novas às vésperas do Enem.
Nas revisões, a preferência deve ser por pontos específicos, estudados com objetividade, sem sacrificar o descanso e os momentos de lazer. Maratonas de última hora podem aumentar o desgaste sem garantir melhor resultado.
— Neste momento, qualidade e equilíbrio são mais importantes do que a quantidade de horas estudadas — resume Christiane.
O Globo