Encaixado taticamente, Flamengo precisa melhorar refino técnico, mas fica perto da excelência; leia análise
Oscar Schmidt costumava dizer que a técnica apurada nos arremessos não era fruto de uma mão santa, como seu apelido sugeria, mas de muito treino. Homenageado pelo Flamengo na vitória sobre o Bahia, ontem, no Maracanã, o ídolo do basquete nacional pode servir de inspiração para uma equipe encaixada taticamente nas mãos do português Leonardo Jardim, mas que precisa melhorar no acabamento de suas jogadas para transformá-las em gols se quiser buscar ainda mais títulos em 2026.
Nada que ofusque a correta apresentação pelo Brasileiro, com três pontos que mantém o Rubro-negro na segunda posição e na caça ao líder Palmeiras, mesmo com um jogo a menos. Mas o gol de Arrascaeta, o camisa 14, por pouco não foi o único de um jogo com amplo domínio e volume que poderia resultar num placar mais elástico.
O uruguaio homenageou Oscar na comemoração ao simular um arremesso com a bola, e estendeu o uniforme com o número que voltou a usar para lembrar o ídolo. No fim da partida, Lucas Paquetá complementou o 2 a 0 e afastou qualquer susto que o Bahia ensaiou no segundo tempo.
Como foi o jogo?
O jogo tático e bem disputado ajuda a explicar a falta de espaços e a necessidade de soluções criativas. Com a volta de titulares, Jardim organizou o Flamengo com alto poder de pressionar a saída do Bahia, com Samuel Lino e Plata abertos. Os pontas, porém, pecaram quando precisavam ir em direção ao gol e finalizar. Com o Bahia bem postado em duas linhas próximas, os passes rápidos suscitavam boa percepção de movimentação e velocidade para conclusão. Foi assim que o Flamengo abriu o placar.
Paquetá, que era quem ditava o ritmo das jogadas desde a defesa na ausência de Pulgar e Jorginho, encontrou Arrascaeta em diagonal da esquerda para o centro. O uruguaio, entre as linhas, também usou a inteligência para acionar Pedro por trás da defesa, já no ponto futuro. Depois de tentar finalizar e ser abafado pelo goleiro, o camisa 9 olhou para trás e viu Arrascaeta chegando. Atrasou a bola, tocada de primeira pelo camisa 14. O lance nem teve tanta velocidade. Se deu muito mais por precisão, refino técnico.
Risco calculado
Quando conseguia sair em velocidade, o Flamengo encontrava mais buracos entre as linhas do Bahia, que não se desorganizou após levar o gol. Nesses momentos, Plata e Samuel Lino tomaram decisões equivocadas durante todo o jogo. Bem postado, o time visitante não deu outras chances no primeiro tempo. Mas também não se expôs para criar quase nada. A melhor oportunidade na etapa inicial foi de Erick Pulga, defendida por Rossi.
Em nova função, Paquetá fez uma boa transição defensiva e desarmes precisos junto ao jovem Everton Araújo para manter a posse de bola com o Flamengo. Com a volta de Alex Sandro e Varela, as tramas em velocidade pelos lados também foram bloqueadas. Quando necessário, Plata e Samuel Lino recuavam para reforçar as ações. Sem Pulgar e também Jorginho, porém, o Flamengo não tinha Paquetá mais adiantado para aparecer com maior qualidade na fase ofensiva.
No segundo tempo, o Bahia pareceu mais disposto a arriscar. E de cara a dinâmica dos espaços mudou. Invariavelmente, a bola caía nos pés de Plata, mais livre na direita, mas a conclusão da jogada não era das melhores. Foi dos pés de Varela que veio cruzamento preciso para Arrascaeta acertar a trave, de cabeça. Em seguida, o meia ficou livre na entrada da área e isolou.
No fim, foi o Bahia que assustou. Também acertou a trave, com Jean Lucas, de fora da área. Em seguida, Rossi salvou tentativa à queima-roupa, tendo mais trabalho que o goleiro Léo Vireira. O Flamengo respondeu com Pedro. Que tentou um gol de letra e depois outro por cobertura, mas errou o alvo. Após algumas substituições, a bola, em um escanteio rebatido, não ironicamente sobra para Paquetá fazer o segundo gol. O tal refino técnico que faltou para um resultado mais tranquilo e mais próximo da excelência.
