Democratas conseguem vitória estratégica com aprovação de novo mapa eleitoral no estado americano da Virginia
Os eleitores do estado americano da Virgínia aprovaram um plano, nesta terça-feira, para alterar o mapa eleitoral do estado que favorece o Partido Democrata, de acordo com a apuração realizada pela agência Associated Press. O novo mapa eliminará quatro dos cinco distritos eleitorais controlados por republicanos antes das eleições de meio de novembro, que renovarão a Câmara e parte do Senado, dando à oposição um impulso considerável em seus planos para retomar ao menos uma das Casas do Congresso.
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A vitória dos democratas faz com que a guerra de alterações dos mapas eleitorais nos EUA fique empatada, eliminando a vantagem construída pelos republicanos desde o ano passado, quando aprovaram alterações no Texas e em outros estados. Além da mudança em si, a votação ajuda os democratas no momento em que tentam aproveitar a baixa aprovação do presidente Donald Trump e a aversão à guerra no Irã.
— Enquanto muitos esperavam que os democratas se rendessem e se fizessem de mortos, fizemos o oposto — disse Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara dos Deputados. — Os democratas não recuaram. Nós lutamos. Quando eles descem ao nível mais baixo, nós revidamos com força.
A rara votação realizada neste período do ano foi marcada pelas dezenas de milhões de dólares gastos em publicidade e por uma surpreendente e alta taxa de comparecimento durante a votação antecipada e nos votos enviados por correio, quando quase 1,4 milhão de pessoas depositaram suas cédulas. Mas no dia da eleição, nesta terça, o comparecimento foi menor do que na eleição para o governo estadual, em 2025.
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Os mapas eleitorais, relativos às cadeiras na Câmara, são modificados normalmente uma vez por década, depois do Censo, para que se adequem às mudanças populacionais. Mas no ano passado, a pedido de Trump, os republicanos no Texas modificaram os distritos para criar cinco novas cadeiras para seu partido. Isso deu início a uma incomum corrida para alterar os mapas, com os dois partidos em busca de uma vantagem. As estimativas são feitas com base no histórico de votação das regiões, e afetam áreas onde o voto em democratas, ou em republicanos, segue um padrão por vezes de décadas.
O referendo deve ser o último impulsionado pelos democratas antes das eleições de novembro, mas o campo republicano promete novas ofensivas.
Na Flórida, o governador Ron DeSantis, republicano, disse que irá modificar seus distritos. Se a Suprema Corte derrubar um trecho da Lei dos Direitos de Voto, de 1965, que veta alterações de mapas eleitorais com base em critérios raciais, vários estados do sul, majoritariamente republicanos, podem seguir pelo mesmo caminho antes de novembro.
