'Empréstimo consignado está incluído no Desenrola 2.0?' O GLOBO tira dúvidas dos leitores
Convidamos os leitores do GLOBO a enviar perguntas sobre o Desenrola Brasil 2.0, lançado pelo governo federal no início de maio, com foco na renegociação de dívidas das famílias. As perguntas enviadas para a Redação mostram que ainda há dúvidas sobre como e quem pode participar do programa. Entre as perguntas dos leitores estão a possibilidade de uso de FGTS, como ficam os juros no parcelamento, se é possível a inclusão de empréstimo consignado e se há uma plataforma oficial do Desenrola.
As questões selecionadas foram respondidas pelo repórter Roberto Malfacini Jr., da editoria Economia.
Confira abaixo as perguntas e respostas:
Como posso utilizar o meu FGTS para pagar dívidas com o Desenrola Brasil 2.0? (Ana Chiara)
Diferentemente da primeira edição, o Desenrola 2.0 permitirá o uso do saldo do FGTS para auxiliar no pagamento das dívidas. O trabalhador poderá sacar até R$ 1 mil ou utilizar até 20% do saldo total disponível no fundo, valendo o menor valor entre os dois limites, para abater o débito negociado no programa.
O processo poderá ser feito a partir de 25 de maio, diretamente pelo aplicativo do banco ou pelo app do FGTS, mas os interessados já podem autorizar as instituições financeiras a consultar os recursos disponíveis pelo aplicativo FGTS e a enviar os dados para a Caixa. Nessas plataformas, o usuário precisará autorizar a consulta ao saldo e o débito do valor para a quitação do acordo fechado pelo Desenrola.
Para participar, é necessário atender às regras do programa. Podem aderir pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal com atraso entre 90 dias e dois anos.
O governo também estabeleceu um limite total de R$ 8,2 bilhões do FGTS para essa modalidade de pagamento. Por isso, o acesso seguirá a ordem de solicitação: quando esse teto for atingido, novos pedidos para uso do fundo no pagamento das dívidas não serão mais atendidos.
E lembrando que aqueles que optarem por fechar uma renegociação no Desenrola ficarão proibidos de fazer apostas online, nas chamadas bets, por um ano.
Tenho uma dívida de cartão de crédito, como posso negociar pelo programa? (Eustério José Nogueira)
Basta acessar os canais oficiais — site, aplicativo ou agência — do banco onde a dívida foi contraída. As instituições financeiras participantes já estão oferecendo automaticamente as condições do programa para clientes que se enquadram nos critérios do Desenrola 2.0: renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal com atraso entre 90 dias e dois anos.
A nova dívida renegociada terá juros de 1,99% ao mês e poderá ser parcelada em até quatro anos, e quem optar pelo serviço ficara bloqueado de acessar plataformas de bets e apostas por um ano.
Para ajudar os leitores, O GLOBO preparou algumas calculadoras que mostram quanto é possível economizar ao renegociar pelo programa de acordo com o seu tipo de dívida: seja cheque especial, rotativo do cartão de crédito, cartão de crédito parcelado ou crédito pessoal.
O valor do desconto, no entanto, varia de acordo com o tempo de atraso da dívida.
O Desenrola Brasil 2.0 tem algum site ou aplicativo oficial, assim como na primeira edição? (Carol)
Diferentemente da primeira edição do programa, o Desenrola 2.0 não terá um portal único e centralizado para renegociação das dívidas. O processo deverá ser feito diretamente pelos canais oficiais dos bancos — site, aplicativo ou agência — ou por plataformas parceiras de negociação, como Serasa Limpa Nome e Acordo Certo, que agora estão integradas ao sistema do programa para facilitar o acesso dos consumidores.
Especialistas alertam, no entanto, para o aumento de golpes envolvendo links falsos do Desenrola espalhados na internet com o objetivo de roubar dados pessoais e dinheiro das vítimas. Por isso, é importante adotar alguns cuidados antes de acessar qualquer plataforma ou baixar aplicativos relacionados ao programa.
A recomendação é utilizar apenas aplicativos e sites oficiais, sempre verificando o endereço da página e o desenvolvedor do aplicativo antes do download. Também é importante checar avaliações de outros usuários e desconfiar de erros de ortografia, nomes incomuns ou endereços que não tenham relação direta com a empresa ou serviço procurado.
Outro ponto essencial é observar as permissões solicitadas pelos aplicativos. Se um programa solicitar acesso a informações incompatíveis com sua função, como uma calculadora solicitando histórico de navegação ou contatos, o ideal é não prosseguir com a instalação.
Antes de inserir dados pessoais ou bancários, a orientação é confirmar se o site acessado é realmente oficial. Uma busca rápida em canais institucionais ou no próprio site da empresa pode ajudar a evitar golpes.
Para quem prefere atendimento presencial, uma alternativa é verificar se uma agência dos Correios próxima está realizando renegociações. A estatal firmou parceria com o Serasa para ampliar o atendimento, permitindo que consumidores renegociem dívidas presencialmente em milhares de unidades pelo país.
Sou do CadÚnico, mas o desconto não aparece. O que fazer? (Hugo Leonardo)
Primeiro, recomenda-se entrar em contato com o seu banco para verificar se o problema pode estar relacionado a uma falha na plataforma ou a uma inconsistência temporária no sistema. Caso a situação não seja resolvida e a sua faixa de renda ou elegibilidade não seja reconhecida, os canais oficiais de atendimento são o portal Consumidor.gov.br ou a Ouvidoria do Ministério da Fazenda, em que você pode registrar um pedido para avaliar e corrigir a situação.
Também é importante conferir se os seus dados no CadÚnico estão atualizados nos últimos 24 meses. Caso contrário, o sistema do Desenrola pode não identificar corretamente sua prioridade, o que pode impedir o acesso às condições do programa.
Empréstimo consignado está incluído no programa? (Sylvio Leite)
Sim, os empréstimos consignados (aqueles descontados diretamente na folha de pagamento ou benefício do INSS) foram incluídos nesta edição 2.0. O banco recalcula o saldo devedor com os juros limitados a 1,99% ao mês, o que pode reduzir consideravelmente a parcela mensal.
Queria limpar meu nome (dívidas de até R$ 100). Como faço? (João Guilherme Santos Soares)
Para quem deve até R$ 100, a regra é clara: os bancos participantes são obrigados a “desnegativar” (limpar o nome) do cliente imediatamente, mesmo que ele ainda não tenha fechado um acordo de parcelamento. Mas atenção, isso não perdoa a dívida, porém libera o seu crédito na praça enquanto você negocia o pagamento.
O percentual do desconto diminui se eu parcelar a dívida? (Jefferson Rodrigues de Oliveira)
Sim. O maior desconto é sempre para o pagamento à vista. Ao escolher o parcelamento (que pode chegar a 48 vezes), os juros do programa (até 1,99% ao mês) são aplicados sobre o valor renegociado. Portanto, embora o desconto sobre o valor original da dívida continue alto, o valor final pago será maior no parcelamento do que na quitação imediata.
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