A cesta de Natal segue como a alternativa mais oferecida pelo RH no momento de presentear os funcionários no fim do ano. Levantamento da empresa de benefícios Pluxee mostra que o kit foi o principal agrado para 25% das companhias no último Natal, enquanto apenas 10% dos empregados optariam por ele se pudessem decidir.
A preferência dos respondentes é por um crédito extra no vale-alimentação, apontado por 55% dos entrevistados. O estudo ouviu 313 profissionais de RH, a maioria de pequenas e médias empresas (65%), e cerca de 3,1 mil trabalhadores, por meio de questionários on-line aplicados em agosto de 2026.
Do lado corporativo, logo atrás da cesta aparecem o vale-presente, com 21% das menções, e o crédito adicional no vale-alimentação (20%). Peru, chester ou outro alimento natalino foram a escolha de 11%.
Para Ferdinando Gomes, gerente de pesquisa de marketing da Pluxee, o resultado revela um descompasso entre a rotina das companhias e o desejo de quem recebe o benefício. “O trabalhador deseja ter liberdade para escolher o que comprar”, afirma.
O principal obstáculo para a mudança, de acordo com o levantamento, é o hábito. Entre as empresas que dão alimentos natalinos, 56% dizem fazer isso por costume.
O mesmo percentual aparece entre as que não ofereceram nada no último Natal. Mais da metade justifica a ausência por não ser uma prática da organização, enquanto 21% citam falta de orçamento.
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Os custos de dizer não (e de dizer sim) Na avaliação de Gomes, o RH já tem fornecedor e rotina definidos e acaba repetindo a mesma escolha a cada ano, em parte porque enxerga na cesta física o simbolismo de um presente.
O executivo argumenta, porém, que muitas empresas já oferecem o cartão de alimentação e bastaria carregar um valor adicional. “É até mais fácil do que organizar uma cesta de Natal”, diz.
Cesta de Natal lidera nas empresas, mas trabalhador prefere crédito extra no vale-alimentação Unsplash
Os próprios profissionais de RH reconhecem vantagens operacionais no crédito. Em uma simulação com quatro opções de mesmo valor (R$ 200), 58% apontaram o adicional no vale-alimentação como o mais fácil de entregar em curto prazo, e 57% como o de gestão mais simples.
O vale-presente lidera em sensação de reconhecimento do empregado (43%). Cesta e peru não se destacam em nenhum dos atributos avaliados.
No setor público, o benefício extra no cartão já é a escolha mais frequente (46%), o que Gomes atribui às licitações: como o fornecedor do benefício já está homologado, o órgão evita abrir um novo processo para comprar cestas. O uso do vale-presente evidencia o peso das despesas domésticas.
Entre quem recebeu o cartão, 82% gastaram a maior parte do saldo em supermercados, padarias, açougues e hortifrútis. Além disso, 59% dos trabalhadores dizem que o crédito ajuda a complementar o orçamento da ceia.
O gasto médio estimado com presentes, ceia e outros custos natalinos ficou em torno de R$ 760 por família. Por isso, segundo Gomes, as companhias devem ficar atentas a oferecer um valor adequado.
O levantamento aponta também espaço para as empresas que ainda não presenteiam suas equipes. Mais da metade (52%) dos trabalhadores ouvidos não recebeu nada do empregador no último Natal, ao passo que 88% dos profissionais de RH acreditam que o gesto fortalece o relacionamento com os funcionários.
Entre os empregados, 80% afirmam se sentir valorizados e motivados ao ganhar uma lembrança de fim de ano. Para Gomes, as companhias vão conseguir melhorar índices de retenção, satisfação e engajamento se entregarem o benefício da maneira que estão pedindo.
A principal recomendação do executivo é consultar as equipes antes de definir o formato e o valor. “O mais importante de tudo é ouvir os funcionários sobre o que eles querem, porque isso faz diferença”, encerra.
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