Em um ano de muitas dúvidas e esforços das empresas para se ajustarem às exigências da reforma tributária, os questionamentos estão se tornando mais pragmáticos. As principais dúvidas de empreendedores estão focadas nos efeitos no dia a dia da operação, como questões relacionadas a compliance, emissões de notas fiscais, mudanças necessárias nos sistemas de gestão empresarial, também conhecidos como ERPs, e sistemas tributários (lucro presumido e lucro real).
Em setembro, as pesquisas sobre notas fiscais subiram 25,5% em relação a agosto. O mesmo comportamento foi verificado para os temas relacionados a regimes tributários.
No caso do lucro presumido, o aumento das pesquisas entre agosto e setembro foi 13,1%, com relação ao lucro real, o crescimento foi de 6,1% no mesmo período. Esse resultado faz parte do Radar Tunad da Média Empresa, levantamento que acompanha o volume diário de buscas no Google por 51 temas relacionados à tributação, gestão, crédito e situação financeira.
“A preocupação das empresas brasileiras com a reforma tributária parece estar mudando de natureza. Depois de um período marcado pela busca por informações gerais sobre as novas regras, o interesse começa a migrar para questões mais práticas, relacionadas à implementação, sistemas, emissão de notas fiscais e compliance”, diz Ricardo Monteiro, COO da Tunad, plataforma brasileira de inteligência de mídia.
Entre 1º de julho e 30 de setembro de 2026, o estudo aponta que as pesquisas pelo termo “reforma tributária” diminuíram 31,5%. Entre as buscas que mais perderam fôlego, está a relacionado ao termo “split payment”, que recuou 53,6% entre julho e setembro.
Também caíram as pesquisas por IBS (recuo de 23,7%) e CBS (baixa de 21,1%). Por outro lado, no mesmo período, as buscas por “nota fiscal” avançaram 27%.
Nos 92 dias de análise, as pesquisas por “compliance” aumentaram 46,8%. Monteiro ressalta que esse movimento não significa que as empresas estão menos preocupadas com a reforma tributária.
Na análise do executivo, a mudança na escolha dos termos mais pesquisados indica que as empresas estão mais concentradas nos efeitos no dia a dia, como adaptação dos sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais, enquadramento tributário, controles internos e adequação de processos contábeis.
“Esse tipo de mudança é particularmente relevante, porque a evolução das buscas pode funcionar como um indicador antecipado dos problemas que começam a chegar às empresas antes de aparecerem em pesquisas tradicionais ou indicadores econômicos mensais”, observa Monteiro. Desafios para transformar exigências em processos
O levantamento da Tunad aponta para duas frentes primordiais de atenção para os empresários. Os gestores estão focados em entender como transformar as exigências trazidas pela reforma tributária em processos concretos.
Nesse cenário, nota fiscal, ERP, compliance e enquadramento tributário ganham importância relativa, enquanto as perguntas mais genéricas sobre IBS, CBS e a própria reforma perdem força, avalia Monteiro. O outro foco prioritário é a saúde financeira do negócio, sobretudo no que se refere ao fluxo de caixa.
Temas como endividamento e inadimplência também entram no radar, observa Monteiro. “Nesse caso, porém, os dados mostram maior volatilidade e exigem acompanhamento dos próximos meses antes de caracterizar uma tendência”, diz.
A Tunad pretende manter o acompanhamento mensal dos mesmos conjuntos de palavras para identificar quais os assuntos que estão despertando maior interesse das empresas e ainda como uma preocupação se desdobra em outros assuntos. “Uma das hipóteses a ser testada, à medida que a série histórica aumentar, é uma sequência na qual o interesse começa por informações sobre a reforma, passa por nota fiscal, sistemas e compliance e, posteriormente, chega a temas como preços, caixa, crédito e endividamento”, ressalta Monteiro.
Os resultados dos três primeiros meses, período que cobre o primeiro do levantamento da Tunad, mostra que a discussão sobre reforma tributária está deixando de ser predominantemente conceitual, o desafio começa a ser operacional, observa o executivo.
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