Empresário morto na Pavuna: segundo porta-voz da PM, sargento envolvido no caso tinha função apenas 'burocrática' em contrato das câmeras
A porta-voz da PM, tenente-coronel Claudia Moraes, classificou como burocrática, nesta terça-feira, a função como integrante da comissão responsável por fiscalizar contratos da Polícia Militar com uma das empresas que fornecem sistemas que incluem câmeras operacionais portáteis, exercida pelo sargento Rafael Assunção Marinho, de 43 anos. Segundo ela, a nomeação servia para atender uma formalidade do contrato. Ela garantiu ainda que o policial não tinha controle sobre o funcionamento das câmeras corporais usadas pela tropa nem das imagens captadas por elas.
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Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves foram presos em flagrante pela Corregedoria da PM por homicídio doloso (quando há intenção de matar), acusados de envolvimento na morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos. O crime aconteceu no último dia 22 na Pavuna, na Zona Norte do Rio. Logo após o crime, quando as imagens gravadas pela câmera instalada na farda de um deles foram vistas, desmontaram a versão dada pelos dois policiais militares.
A PM justificou a nomeação do sargento para a função, no ano passado, alegando que até o episódio da Pavuna ele não havia respondido a nenhum procedimento apuratório, de acordo com a corregedoria da corporação.
— No primeiro momento, onde foi identificado o fato e aconteceu a prisão, ele foi imediatamente desligado da função, que é burocrática e administrativa, e será escolhida outra pessoa — disse a porta-voz.
O sargento Rafael Assunção Marinho comissão encarregada de fiscalizar contratos da Polícia Militar com a empresa L8 & Group S/A, do consórcio OX21 — responsável, em outros acordos com a corporação, por sistemas que incluem câmeras operacionais portáteis
Reprodução
O acordo firmado com a empresa que fornece sistemas que incluem câmeras operacionais portáteis abrange desde o fornecimento dos equipamentos até o armazenamento das imagens em nuvem e a gestão das evidências digitais. O nome do policial aparece na resolução da Secretaria de Polícia Militar, publicada no Diário Oficial em agosto de 2025, como integrante da comissão responsável por fiscalizar a execução do contrato número 111/2021. O acordo foi firmado entre a corporação e a empresa L8 & Group S/A.
Imagens de câmeras corporais desmentiram a versão anterior dos dois policiais militares envolvidos na morte do empresário. Ao contrário do que sustentavam em seus depoimentos, não houve blitz, ordem de parada nem mesmo reação da vítima, e sim uma emboscada.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) informou na segunda-feira que investiga se, além do cabo e do sargento presos em flagrante, há outros PMs — até mesmo de uma patente superior — envolvidos na emboscada. Os vídeos, obtidos pelo Fantástico, da TV Globo, mostram ainda que um dos suspeitos do ataque recebeu, pelo telefone, informações sobre a movimentação do empresário pouco antes dos disparos.
Por meio de nota, a Polícia Militar havia informado na segunda-feira que o sargento exercia uma atividade burocrática e relativa apenas ao 41º BPM (Irajá).
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