Empresariado paulista cobra, e Alckmin defende 'diálogo' para avançar na proposta do fim da escala 6x1
Representantes do empresariado paulista criticaram a proposta no Congresso que acaba com a jornada 6x1, de seis dias trabalhados para um de descanso, em evento com participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, nesta segunda-feira (18).
Alckmin participou da abertura da Apas Show, uma das principais feiras supermercadistas do país, realizada na Expo Center Norte, em São Paulo. Em praticamente todos os discursos, ouviu que os projetos para alteração do limite de carga horária de trabalho não devem tramitar em regime de urgência e precisam refletir sobre as consequências econômicas.
— A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum, de buscarmos as melhores soluções — ele respondeu.
Em conversa com jornalistas, após o evento, tampouco quis dar maiores detalhes sobre o andamento da pauta.
— É possível, sim, avançar nesse bom diálogo.
Na semana passada, o governo Lula chegou a um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para pautar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) prevendo descanso remunerado de dois dias e redução do teto da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Um segundo projeto de autoria do Executivo trataria, assim, de especificidades das categorias.
Anfitrião do encontro em São Paulo, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, alegou que o setor teria cerca de 350 mil vagas abertas no mercado de trabalho, o que poderia se agravar com a aprovação da pauta no Congresso. Ele defendeu uma escala flexível com modelo “horista e de jornada livre”.
Outras lideranças da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), e da Federação da Agricultura do Estado (Faesp) argumentaram que seus respectivos setores operam com margens apertadas, negociação coletiva e variações de preço conforme os custos de produção.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também estiveram no evento. Eles discursaram na mesma linha dos empresários. Tarcísio, por exemplo, disse que o debate não pode “enganar o trabalhador”, ao sugerir que é preciso desonerar impostos para viabilizar a medida.
— O debate precisa ser encarado com muita seriedade. Não podemos levar as pessoas para o caminho da informalidade, da falta de dinheiro no fim do mês.
Ao fim do evento, Alckmin e Tarcísio fizeram breves visitas aos estandes, mas não andaram juntos. Eles estarão em lados opostos no pleito de outubro, com o vice-presidente tentando a reeleição na chapa de Lula e o governador apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Messias: Parte 2
Alckmin fez elogios ao chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que pode ter o seu nome reenviado pelo presidente Lula para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, ainda no final do ano passado. Ele foi rejeitado no Senado, em uma derrota histórica, no dia 29 de abril.
— A indicação é uma prerrogativa do presidente da República, então, vamos aguardar. Jorge Messias tem todas as condições, é um jurista experiente e tem espírito público. Ele fez concurso para ser advogado do povo, para a AGU. Então, tem espírito público, preparo e experiência.
