O Brasil não deve participar do Escudo das Américas em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação de integrantes do governo é que o país não se enquadra no perfil da coalizão, liderada pelos Estados Unidos. A aliança reúne governos da América do Sul e da América Central, com predominância de lideranças de direita, para combater o crime organizado em nível regional. Leia mais
A segurança pública aparece como uma das principais preocupações da população, segundo pesquisas de opinião recentes. Adversário de Lula na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem buscado dar destaque à segurança pública na campanha, tema tradicionalmente associado à direita. Flávio afirmou que, se eleito, incluirá o Brasil no Escudo das Américas, em posição oposta à do governo Lula. O presidente, por sua vez, tenta ampliar o espaço de sua candidatura nessa área.
Entre as medidas recentes dos Estados Unidos contra o crime organizado transnacional está a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado, feita em junho.
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira (15), Lula voltou a se opor à classificação adotada por Washington. O presidente afirmou que as facções não praticam terrorismo de Estado, mas aterrorizam as populações dos territórios que controlam e buscam apenas dinheiro.
“Para o trabalhador, o que nós queremos é tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos queremos a prisão”, afirmou. “Queremos libertar os territórios [das facções]”, acrescentou o presidente durante a sabatina.
Valor