Em nova turnê, Lily Allen usa figurino estampado com recibos de cartão que indicariam traição de ex-marido

 

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A turnê “Lily Allen: performs West End Girl”, começou no dia 2 em Glasgow, na Escócia, e está programada para começar nos EUA em 3 de abril. Mas já gerou uma onda de especulações. Enquanto canta “4chan Stan”, que narra a descoberta da infidelidade do marido por uma mulher através de recibos encontrados em uma gaveta de casa, Allen envolve o corpo em um longo pedaço de tecido verde. O tecido é estampado com recibos de lugares como o Plaza Hotel em Nova York, marcas como Chanel, além de fragmentos de mensagens de texto e anotações manuscritas.

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Quando Allen lançou “West End Girl”, em outubro, o álbum rapidamente se tornou um ímã para teorias, artigos e análises minuciosas das letras. O disco, que narra a lenta e dolorosa dissolução de um casamento, parece inspirado na relação de Allen com o ator de “Stranger Things” David Harbour — o casal está atualmente separado.

As 14 faixas contam as experiências de uma mulher que é pega de surpresa por um parceiro e enfrenta noites sem dormir, além de suas preocupações com a possibilidade de recaída no vício e as complicações emocionais de um relacionamento aberto. As canções são incomumente detalhadas, nomeando lugares e descrevendo descobertas específicas. Mas deixam ambiguidade suficiente para que os ouvintes preencham as lacunas.

Os fãs de Allen esperavam poder ver de perto os recibos no tecido que ela usa no palco, na esperança de confirmar algumas de suas conjecturas. E alguns descreveram o visual como seu “vestido da vingança”. Mas, de acordo com Anna Fleischle, diretora criativa da turnê “West End Girl” e cenógrafa, esse rótulo não capta a essência da história. Um dos desafios da turnê, segundo ela, foi traduzir o arco emocional do álbum para um mundo visual com cenas distintas que não assemelhassem a performance a uma mera reconstituição.

O tecido que Allen puxa para se envolver é um longo pedaço de lycra verde que a equipe criativa passou meses desenvolvendo.

Para Fleischle, o tecido representa o processo aparentemente interminável de descobrir detalhes da traição de um parceiro, uma sensação que comparou a rolar um feed infinito de redes sociais. Ela se recusou a dizer se as imagens impressas no tecido são baseadas em recibos reais, descrevendo-as como uma “interpretação artística” das letras de Allen.

— É uma forma de falar sobre a busca pela verdade, e é interessante ver que a própria metáfora incentiva um senso de busca ou questionamento no público também — disse ela.

A imagem ecoa um momento em “4chan Stan”, quando o personagem principal do álbum descobre um recibo de uma bolsa da Bergdorf Goodman, loja de departamentos de luxo.

Fãs tentaram ampliar fotos para ler os recibos impressos no tecido, tentando determinar se eles correspondem a eventos reais.

Fleischle contestou a ideia de “vestido da vingança”, sugerindo que a peça de roupa e o próprio álbum poderiam ser interpretados de forma mais ampla.

— Só chamamos coisas assim de vingança quando uma mulher está envolvida — disse ela.

O espetáculo se desenrola como uma peça de teatro, com Allen interpretando as músicas em ordem cronológica. O palco foi projetado para se assemelhar a uma casa. O espaço inicialmente parece impecável, mas, conforme a apresentação avança, os cômodos vão ficando mais desarrumados, até que o palco esteja quase vazio no final.