Em meio a disputa sobre a Groenlândia, Macron afirma que Trump tenta 'subordinar a Europa'

 

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O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou os Estados Unidos de tentar subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas que classificou como "inaceitáveis" nesta terça-feira, durante a sua participação no Fórum Econômico de Davos, que reúne os principais líderes mundiais anualmente na Suíça. O discurso de Macron acontece em meio a uma disputa aberta com o presidente americano, Donald Trump, que ameaçou novas tarifas sobre a França, no contexto da discordância com os aliados europeus sobre a Groenlândia.

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— A competição dos EUA por meio de acordos comerciais que prejudicam nossos interesses de exportação exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa —disse Macron, que falou às autoridades reunidas na cidade suíça usando um óculos escuro espelhado. — [Essas tarifas] somadas a um acúmulo interminável de novas tarifas são fundamentalmente inaceitáveis, ainda mais quando usadas como forma de pressionar a soberania territorial.

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O discurso do presidente francês aconteceu horas após Trump voltar a provocar os aliados europeus, que se opõem às tentativas americanas de anexar a Groenlândia — território semiautônimo do Reino da Dinamarca no Ártico. Em uma série de mensagens na Truth Social, o presidente americano voltou a dizer que a aquisição do território é "imprescindível para a segurança nacional e mundial" e publicou imagens provocativas feitas por IA — uma delas, em que Macron aparece ao lado de uma fileira de líderes europeus, que ouvem Trump falar diante de um mapa em que Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem como territórios americanos.

Uma publicação em particular pareceu uma provocação ainda mais direcionada a Macron. Trump divulgou trechos de mensagens privadas enviadas pelo presidente francês, que em tom cordial parece tentar uma aproximação com o republicano, em meio às tensões entre os dois. O presidente dos EUA também publicou uma mensagem enviada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, com quem anunciou ter falado.

Imagem gerada por IA mostra líderes europeus enfileirados, ouvindo Trump; ao fundo, mapa mostra Groenlândia, Canadá e Venezuela como territórios americanos

Reprodução

"Meu amigo, nós estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Nós podemos fazer grandes coisas no Irã. Eu não entendo o que você está fazendo na Groenlândia. Deixe-nos tentar construir grandes coisas", diz um dos trechos das mensagens atribuídas a Macron, que também teria sugerido uma reunião do G7 e um jantar com Trump na quinta-feira, em Paris.

Em Davos, Macron disse que nenhuma reunião do G7 estava marcada para a quinta-feira, mas que a Presidência francesa estaria disposta a organizar um encontro.

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As tensões diretas entre Macron e Trump começaram com os novos avanços americanos em direção à Groenlândia, pouco depois do ataque à Venezuela. O líder francês atendeu a uma iniciativa europeia e enviou soldados para um treinamento no território ártico, em um momento em que o presidente dos EUA já havia retomado a retórica sobre anexação da região. Em resposta, Paris foi incluída em um novo tarifaço americano, direcionado aos oito países que enviaram militares para a ilha.

Macron foi um dos líderes europeus a reagir com mais intensidade — dentro de uma resposta ainda tímida e limitada ao campo retórico. Ele foi um dos principais defensores de que a União Europeia, em resposta, utilizasse o instrumento anticoerção (ACI, na sigla em inglês, apelidado de "bazuca" comercial da Europa), para restringir o acesso de companhias americanas ao mercado do bloco.

Em meio ao imbróglio, Trump ainda adicionou mais pressão sobre a França — e sobre Macron pessoalmente — e sugeriu que poderia impor uma tarifa de 200% sobre as exportações de vinho e champanhe franceses para os EUA, pela recusa de Macron em participar do Conselho da Paz em Gaza — uma medida vista por alguns líderes internacionais e meios diplomáticos como uma forma de contornar a ONU.

Em Davos, o presidente francês disse que prefere "o respeito do que os valentões" e "o Estado de Direito à brutalidade".

— A França e a Europa estão ligadas à soberania e independência nacionais, às Nações Unidas e à sua carta — disse Macron. (Com AFP)