Em entrevista, Eduardo Bolsonaro demonstra submissão e diz ser “importante para os EUA ter o Brasil ao seu lado em caso de uma guerra”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro afirmou que os Estados Unidos têm interesse estratégico em manter o Brasil como aliado em um eventual conflito militar e chegou a mencionar o envio de fuzileiros navais estadunidenses ao território brasileiro caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast estadunidense Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista conservador Steven Crowder. Na entrevista, Eduardo também defendeu que Flávio Bolsonaro deixe o país caso não consiga vencer a disputa presidencial e voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas, embora tenha reconhecido não possuir provas de fraude eleitoral.

Durante a entrevista, ao ser questionado sobre a importância das eleições brasileiras para os Estados Unidos, Eduardo afirmou que Washington precisa ter o Brasil ao seu lado em caso de guerra. “É importante para os EUA ter o Brasil ao seu lado em caso de uma guerra”, disse.

A resposta associou diretamente o resultado da disputa presidencial brasileira aos interesses militares e geopolíticos estadunidenses. Em outro momento, quando o apresentador perguntou o que deveria acontecer se Flávio Bolsonaro perdesse a eleição, Eduardo respondeu: “Mandem os fuzileiros navais”.

A declaração foi acompanhada de risos e apresentada em tom de brincadeira. Ainda assim, a referência ao envio de militares estadunidenses ocorreu em uma conversa na qual o ex-parlamentar defendia uma aproximação estratégica entre o Brasil e os Estados Unidos.

O comentário também se insere em um contexto de pressão política exercida por Eduardo sobre autoridades brasileiras a partir dos Estados Unidos, onde reside desde 2025. Eduardo defende fuga de Flávio Bolsonaro em caso de derrota

Depois de mencionar os fuzileiros navais, Eduardo passou a tratar da possibilidade de seu irmão perder a eleição e enfrentar consequências judiciais no Brasil. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país.

Com certeza. Com certeza”, declarou.

O ex-deputado justificou sua posição alegando que Lula teria ameaçado Flávio Bolsonaro durante um debate presidencial, ao mencionar a perda da imunidade parlamentar e a possibilidade de investigações contra o senador. “Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição.

No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade.

E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate.

Ele estava ameaçando meu irmão”, afirmou Eduardo. Ex-deputado questiona urnas sem apresentar provas

Eduardo Bolsonaro também voltou a lançar suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro, em um momento decisivo da disputa presidencial. O ex-parlamentar criticou a ausência de comprovantes individuais impressos dos votos e afirmou que o modelo brasileiro dependeria exclusivamente da confiança nos equipamentos eletrônicos.

“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso.

Esse é o problema”, declarou. Na sequência, Eduardo recorreu a uma frase atribuída ao ditador soviético Josef Stálin para colocar em dúvida a apuração dos votos.

“Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve.”

As alegações não foram acompanhadas de evidências de irregularidades. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que não há registro de fraude comprovada no sistema brasileiro de votação eletrônica.

Além disso, a Justiça Eleitoral dispõe de mecanismos de fiscalização e auditoria dos resultados. Ao final da votação, cada urna emite um boletim impresso com os votos registrados naquela seção eleitoral.

Esses documentos também são disponibilizados na internet, permitindo que partidos, instituições fiscalizadoras e cidadãos comparem os resultados locais com os números divulgados oficialmente. Eduardo critica o STF e insiste no voto impresso

Na mesma entrevista, Eduardo Bolsonaro responsabilizou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões que impediram a adoção de modelos de voto impresso no país. “E o Congresso aprovou por três vezes o que chamamos de projeto do voto impresso.

Mas todas as vezes que aprovamos isso, o Supremo Tribunal Federal disse que era inconstitucional”, afirmou. A versão apresentada pelo ex-deputado, porém, não corresponde integralmente ao histórico legislativo.

O Congresso aprovou medidas relacionadas ao voto impresso em 2002, 2009 e 2015. A legislação de 2002 foi revogada pelo próprio Legislativo no ano seguinte, enquanto dispositivos das normas posteriores foram considerados inconstitucionais pelo STF em decisões de 2013 e 2020.

Entre os fundamentos utilizados pela Corte estava a necessidade de preservar o sigilo do voto. Segundo turno será decidido neste domingo

As manifestações de Eduardo ocorrem a dois dias da votação que definirá o próximo presidente da República. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.

A diferença de 1,87 ponto percentual colocou os dois candidatos em uma disputa apertada pela Presidência. Nesse cenário, as declarações de Eduardo sobre o envio de militares americanos, a eventual saída de Flávio Bolsonaro do país e a confiabilidade das urnas ampliam o debate sobre a postura do bolsonarismo diante de uma possível derrota eleitoral.

O ex-deputado já havia defendido anteriormente a possibilidade de os Estados Unidos adotarem sanções contra ministros do STF e até deixarem de reconhecer resultados eleitorais brasileiros em determinadas circunstâncias. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF

A situação judicial do próprio Eduardo também ajuda a contextualizar suas declarações. O ex-parlamentar vive nos Estados Unidos desde 2025 e perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano, após a Mesa Diretora declarar sua cassação por excesso de faltas às sessões legislativas.

Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação decorreu de sua atuação junto ao governo americano para pressionar autoridades brasileiras, em meio a medidas adotadas por Washington contra o Brasil e integrantes do Judiciário.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), acolhida pelo STF, Eduardo procurou interferir no julgamento de Jair Bolsonaro relacionado à trama golpista. A pena foi fixada em quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto.

Em 3 de outubro, a condenação transitou em julgado. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes brasileiros do ex-deputado.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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