247 – A recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de aprovação e o aumento da rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levaram a consultoria de risco político Eurasia a revisar suas projeções para o segundo turno da eleição presidencial. A probabilidade estimada de vitória do candidato bolsonarista caiu de 70% para 60%, diante dos sinais de fortalecimento da campanha petista na reta final da disputa.
Segundo o jornal Valor Econômico, a Eurasia identifica uma mudança no ambiente eleitoral, impulsionada tanto pelo desempenho da campanha de Lula quanto pelo desgaste de Flávio Bolsonaro. Embora ainda considere o senador favorito, a consultoria avalia que o presidente ganhou condições de reduzir a vantagem do adversário nos últimos dias antes da votação.
A revisão ocorre em um cenário de equilíbrio nas pesquisas de intenção de voto, que apontam empate entre os dois candidatos. A Eurasia, entretanto, trabalha com a hipótese de que os levantamentos superestimem o desempenho de Lula em aproximadamente um ponto percentual, em razão da dificuldade histórica de captar integralmente o chamado “voto envergonhado” da direita, fenômeno que teria se intensificado com a ascensão do bolsonarismo.
Mesmo considerando esse fator, a consultoria identifica sinais favoráveis ao presidente, especialmente na evolução dos indicadores de aprovação do governo e na ampliação da rejeição ao candidato do PL. Campanha contra Flávio e propostas sociais fortalecem Lula
Um dos elementos destacados pela Eurasia é o possível impacto da campanha negativa contra Flávio Bolsonaro. A exposição de seus vínculos apontados com milícias e os alertas sobre eventuais cortes em programas sociais são considerados fatores que podem contribuir para o aumento da resistência ao senador entre os eleitores.
Na avaliação da consultoria, esses temas passaram a influenciar a dinâmica da disputa, especialmente diante da importância das políticas de proteção social para parcelas expressivas do eleitorado. Ao mesmo tempo, a campanha de Lula encontrou espaço para ampliar sua agenda de propostas voltadas à população de menor renda, aos trabalhadores e aos estudantes.
Entre as iniciativas que teriam contribuído para melhorar a avaliação do presidente estão a promessa de passe livre no transporte público e a proposta de criação do Pé-de-Meia Universitário, apresentada como uma ampliação das políticas de incentivo à permanência dos estudantes na educação.
A aprovação da jornada de trabalho 5×2 também aparece na análise como um fator favorável ao petista. A medida, associada à ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores, reforçou a presença de temas ligados aos direitos trabalhistas na campanha presidencial.
Debate da Globo pode influenciar reta final da eleição A consultoria também acompanha com atenção o debate presidencial marcado para a noite desta sexta-feira (23), na Rede Globo, considerado um dos últimos momentos de exposição direta dos candidatos antes do segundo turno.
A expectativa é de que Lula e Flávio Bolsonaro promovam ajustes em suas estratégias a partir das avaliações realizadas por grupos focais após os confrontos anteriores. De acordo com a análise, esses levantamentos identificaram uma percepção negativa sobre a postura do senador, considerada excessivamente agressiva e desrespeitosa em relação a Lula, que tem 80 anos.
O comportamento de Flávio Bolsonaro nos embates anteriores chamou a atenção pela movimentação no espaço do debate. Enquanto o presidente respondia às perguntas, o senador chegou a circular atrás dele e a fazer gestos de discordância, em uma estratégia de confronto visual.
A conduta foi comparada à adotada por Donald Trump durante um debate eleitoral com Hillary Clinton, nos Estados Unidos. O formato estabelecido pela Rede Globo para o encontro desta sexta-feira, entretanto, deverá impedir a repetição desse tipo de movimentação, restringindo as possibilidades de interferência visual durante as respostas do adversário.
A Eurasia considera que essas condições podem levar os candidatos a rever o tom de suas intervenções, especialmente diante das avaliações sobre o impacto eleitoral da agressividade demonstrada nos confrontos anteriores.
Brasil 247