Em cúpula

Em cúpula 'anti-Trump', Xi Jinping afirma que China e Rússia promovem reformas globais e são 'modelo'

Fonte: Bandeira da fonte

Os presidentes da China e da Rússia exaltaram a relação bilateral durante uma reunião no Quirguistão, que recebe uma cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), bloco que busca fazer um contraponto a União Europeia e ao presidente Donald Trump.
O encontro na capital do país, Bishkek, também reúne o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e os primeiros-ministros da Índia, Narendra Modi, e do Paquistão, Shehbaz Sharif, entre outros líderes.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou durante uma reunião com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, nessa segunda (31) que 'a cooperação estratégica entre Rússia e China constitui um modelo de relações entre Estados'.
Com suas tropas envolvidas na guerra na Ucrânia, a Rússia estreitou os laços com a China, principal compradora de seu petróleo.
Pequim nunca condenou uma invasão russa iniciada em 2022, que provocou um forte isolamento internacional de Moscou.
Putin e Xi já aproveitaram outras cúpulas para promover sua visão de um mundo multipolar e apresentar uma frente unida contra o Ocidente.
Xi disse a Putin estar 'feliz' em vê-lo e afirmou que os laços entre os dois países se tornaram 'mais sólidos', com perspectivas 'ainda mais promissoras'.
'É evidente que aumentou o nível de incerteza e imprevisibilidade na ordem internacional', afirmou o presidente chinês.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e presidente da China, Xi Jinping, se encontram em Pequim.
Kristina Solovyova / POOL / AFP
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, informou à imprensa russa que os líderes, que se reuniram pela última vez em maio, em Pequim, abordaram a guerra na Ucrânia apenas 'de passagem'.
'As inovações digitais, incluindo as tecnologias de inteligência artificial, também estão abrindo novas oportunidades para o desenvolvimento econômico de nossos países', afirmou Putin.
Nos últimos meses, o Kremlin buscou fortalecer seu controle sobre o ambiente digital, com interrupções e intervalos excessivos do acesso à internet e restrições a aplicativos populares de mensagens.
O governo russo quer aumentar a população para adotar a plataforma de mensagens Max, atualizada pelo Estado.
O aplicativo, que não oferece criptografia e é semelhante à plataforma chinesa WeChat, desperta entre preocupações críticas relacionadas à privacidade e à vigilância.
Putin também deve se reunir com o presidente do Irã, outro país submetido às duras avaliações dos Estados Unidos e que estreitou os vínculos com a Rússia desde a invasão da Ucrânia por Moscou.
No Quirguistão, Pezeshkian afirmou que prolongar a guerra contra os Estados Unidos não beneficia seu país, em um contexto de retomada das hostilidades após um mês de relativa calma.
'Continuamos nos esforçando para encontrar um caminho de acordo e entendimento e consideramos que a continuidade da guerra não é do nosso interesse nem do interesse da região', afirmou Pezeshkian durante uma reunião com o primeiro-ministro indiano.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, participando de uma reunião na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) em Bishkek, no Quirguistão.
Iranian Presidency/AFP
As declarações ocorreram após ataques americanos contra a ilha iraniana de Larak, que deixaram dois mortos e vários feridos, segundo a agência oficial iraniana IRNA.
O Irã, por sua vez, afirmou nesta segunda-feira ter atacado com bases de drones nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia que, segundo Teerã, são utilizadas por militares americanos.
O país declarou ter agido em 'defesa legítima'.
Nas últimas semanas, houve uma relativa calma no Oriente Médio, embora tenham ocorrido ataques esporádicos, principalmente no estreito de Ormuz e na sua vizinhança.
A cúpula em Bishkek ocorre em um momento em que alguns membros da OCX, como Rússia e Irã, estão envolvidos em conflitos armados, enquanto outros, como China e Índia, enfrentam disputas comerciais em meio à explosão tarifária dos Estados Unidos.
No contexto da guerra no Oriente Médio, Washington também intensificou a pressão econômica sobre o Irã e impôs neste mês avaliações secundárias destinadas a atingir os parceiros econômicos de Teerã.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula da OTAN.
SAUL LOEB / AFP