Em cerimônia dos 200 anos da Câmara, Motta defende Parlamento como “retrato do Brasil” e Alcolumbre exalta a “tolerância”

 

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A cerimônia em celebração aos 200 anos da Câmara dos Deputados reuniu nesta terça-feira autoridades dos Três Poderes em um evento marcado por discursos em defesa da democracia, da harmonia institucional e do papel histórico do Parlamento brasileiro. O evento ocorreu uma semana após a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), episódio que ampliou a tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado.

Em sua fala, o presidente da Câmara, Hugo Motta (republicanos-PB) , afirmou que a Casa é “onde o Brasil se encontra consigo mesmo” e defendeu que o Parlamento deve ser “o retrato do Brasil”. Segundo ele, celebrar os 200 anos da Câmara “não é apenas exaltar conquistas, mas reconhecer responsabilidades”.

— Hoje, a casa do povo é símbolo de um país que decidiu olhar para seu interior — declarou Motta durante a sessão solene.

O presidente da Câmara também afirmou que o Parlamento deve refletir a diversidade do país e disse que a instituição precisa manter diálogo permanente com a sociedade brasileira.

A cerimônia contou com a presença do presidente do STF, Edson Fachin, que afirmou que a Corte “vem aqui para se associar a essa celebração”, em respeito ao papel constitucional do Legislativo.

— O Supremo vem aqui para se associar a essa celebração, com respeito constitucional de assegurar o espaço democrático que o Parlamento exerce com liberdade na representação do povo — disse Fachin.

Também participaram os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, além do ex-presidente Michel Temer.

Em discurso na cerimônia, Alcolumbre afirmou que “falar da Câmara é falar da história do povo brasileiro” e disse que a Casa foi palco de debates que “mudaram os rumos do país”, desde os movimentos em defesa da liberdade até a Constituição de 1988.

O senador também defendeu o sistema bicameral como instrumento de equilíbrio institucional.

— Senado e Câmara são historicamente e constitucionalmente casas irmãs — afirmou.

Segundo ele, o modelo funciona como mecanismo de equilíbrio e estabilidade democrática.

Logo após cumprimentar Guimarães, Alcolumbre ainda fez um apelo pela convivência política apesar das divergências ideológicas.

— A política exige, acima de tudo, tolerância. Na Câmara é onde aprendemos que, apesar das diferenças ideológicas, o objetivo final é sempre o bem do povo brasileiro — declarou.

Alcolumbre disse, em seu discurso, que Guimarães é o elo da relação pacífica entre Congresso e governo. A declaração foi interpretada nos bastidores como um gesto de reaproximação institucional após a crise provocada pela derrota de Messias no Senado.

Ao discursar, o ministro elogiou a condução de Motta à frente da Câmara e fez referência direta a Alcolumbre ao defender a relação entre os Poderes, mesmo diante de divergências políticas recentes.

— Tivemos posicionamentos muitas vezes divergentes, Davi, mas seguimos, sobretudo, republicanos — afirmou.

Em outro momento, Guimarães declarou que “ninguém mexe na democracia” e defendeu uma construção conjunta entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

— Quero dizer ao presidente Hugo Motta e ao senador Davi Alcolumbre: eu nasci aqui, aprendi quase tudo aqui dentro e é com essa experiência que digo que é preciso uma construção coletiva entre os Poderes — disse.