Em cartaz no teatro, Taís Araújo diz que resolve crises no palco, revela que pensou em abandonar a carreira e elogia Bella Campos

 

Fonte:


Em cartaz no teatro com a peça "Mudando de pele", Taís Araújo explicou, em entrevista ao GLOBO, os motivos que a fizeram escolher o texto da jovem atriz inglesa inglesa Amanda Wilkin para encenar. O espetáculo gira em torno de Mayah, uma mulher m busca de sua identidade. Presa num relacionamento falido e num emprego infeliz, ela muda de vida ao conhecer outras mulheres negras.

Bella Campos 'Se me botarem na geladeira, vou construir um universo inteiro dentro dessa geladeira'

Taís Araújo. 'O amor sempre foi uma questão para a mulher negra'

— Sempre que tenho alguma questão, volto para o teatro, onde só aprendo. O texto me pegou porque já tinha me visto nesse lugar muitas vezes. É escrito por uma mulher preta, com o olhar dela, mas é universal. Quem vive hoje está incomodado, querendo ir para outro lugar. Quem não tá, já morreu! Quando você muda de opinião, já está em outro lugar na vida. E a gente muda de opinião o tempo inteiro.

Quando acabou “Viver a vida” (2009), por exemplo, ela estava “super mexida”. Havia enfrentado críticas cruéis por conta de sua Helena, protagonista da trama. Um período que define como “complicado, em que não sabia nem se queria continuar sendo atriz”. Passado os anos, ela o reconhece como o mais importante de sua vida e diz que viveria tudo de novo, se pudesse.

Mas o desejo à época era sair da frente das câmeras o mais rápido possível rumo às coxias. No meio do caminho, no entanto, tinha um filho.

— Engravidei, e filho também melhora a gente, né? — afirma. — O teatro me leva a lugares melhores. Saio melhor atriz, pessoa, cidadã.

Luana Piovani. 'Sou evangélica macumbeira'

Foi antes mesmo de “Vale tudo” estrear que ela bateu o martelo: subiria aos palcos assim que a novela terminasse. O desejo de intercalar audiovisual com ribalta é perene, mas nem sempre é possível. Tanto que ficou longe dos palcos por cinco anos — desde o “Topo da montanha” (2016), com que lotou teatros por outros cinco anos sob direção do marido, Lázaro Ramos. Quando a novela acabou, o que se apresentou foi a consciência da prosperidade de sua carreira e do vasto horizonte que tem pela frente.

Taís Araújo

Divulgação/ Pedro Napolinário

— Pensei: “Conquistei tantas coisas e só tenho 47 anos”. Hoje, a gente é muito dona da nossa carreira. Antigamente, dependia de escalação. Cheguei num lugar de muitas opções, e a sensação é a de um roteiro em branco por escrever.

É um contexto libertador, mas que também mete medo.

— Posso fazer tudo, inclusive, nada. Podia não querer mais trabalhar, ficar viajando, estudando. Mas sou inquieta. E essa carreira não tem limite para melhorar. O que me alimenta? Para onde vou crescer artisticamente? Estava numa encruzilhada e, mais uma vez, o teatro me deu o caminho.

Em meio ao fogo que arde, Taís também topou com novas certezas:

— Não vou mais fazer porque tenho que fazer ou porque estou sendo pressionada. Se não estiver me sentindo bem fisicamente e emocionalmente, não faço. Vou olhar mais pra mim, me obedecer. Isso é fruto de muitos anos de carreira. Eu sou muito boa funcionária, meio que a funcionária do mês — brinca ela, que renovou contrato com a TV por três anos e disse “não” a uma novela após “Vale tudo”.

— Não vou mais fazer porque tenho que fazer ou porque estou sendo pressionada. Se não estiver me sentindo bem fisicamente e emocionalmente, não faço. Vou olhar mais pra mim, me obedecer. Isso é fruto de muitos anos de carreira. Eu sou muito boa funcionária, meio que a funcionária do mês — brinca ela, que renovou contrato com a TV por três anos e disse “não” a uma novela após “Vale tudo”.

O ato de se impor é algo que Taís tem visto nas novas gerações. Ela olha para mulheres mais novas como Bella Campos, que viveu sua filha, Maria de Fátima, e tira o chapéu.

— Tem algo de muito legítimo em a pessoa poder falar de um incômodo (se refere às queixas de Bella nos bastidores de “Vale tudo”). Quantas vezes a gente se sentiu incomodada e tinha medo de falar? E isso não é uma questão exclusiva da Bella, é geracional — acredita. — Acho bonito quando ela fala que da geladeira (cita a entrevista de Bella Campos ao GLOBO, em que a atriz diz: "Se me botarem na geladeira, vou construir um universo inteiro dentro dessa geladeira"). Foi a fala que mais me impactou, aprendi com ela. Não tem uma coisa só no mundo, sempre vamos construir uma possibilidade dentro do que sobra. A gente acha que várias coisas são o fim da vida, mas a vida só acaba quando termina - analisa.

No palco, a riqueza da troca entre gerações é um tema explorado como quando a protagonista diz: “Me sinto inspirada pela Geração Z. Eles são chatos, mas têm uma aura de não aceitar desaforo”.

A satisfação com o que vem fazendo agora a fez até recuperar a voz (com muito trabalho de fono, claro) que tinha perdido no fim de 'Vale tudo'

— Tinha lesionado (as cordas vocais), por esforço, estresse, por tudo. Estava com um nó. A grande preocupação da Yara era assim: "Ih, ela não vai conseguir falar uma hora e meia". Mas, após muito trabalho, estou conseguindo.