Em busca de maior autonomia militar, França e Alemanha ampliam parceria em defesa
Os líderes da Alemanha e da França se comprometeram, nesta sexta-feira (17), a aprofundar a cooperação em defesa e a combater a intensa concorrência econômica da China, que, segundo eles, estaria exercendo uma pressão drástica sobre a Europa por meio do excesso de capacidade produtiva e de uma moeda subvalorizada.
O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, se reuniram no âmbito de uma série regular de reuniões conjuntas dos gabinetes, buscando superar as tensões decorrentes do fracasso de um projeto conjunto de caça muito divulgado no início deste ano.
“Estamos fazendo o que é necessário para salvaguardar nossa liberdade, nossa segurança e nossa defesa coletiva”, afirmou Merz, em coletiva de imprensa conjunta, na qual os dois apresentaram uma lista de objetivos, incluindo defesa antimísseis e sistemas de ataque de longo alcance.
Ambos os líderes criticaram a China, que, segundo eles, não estaria respeitando as regras do comércio internacional ao oferecer à sua indústria um nível de apoio estatal pelo menos oito vezes maior do que o observado em outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“Não somos de forma alguma antichineses, nem em nossa diplomacia nem em nossa economia, mas temos uma visão lúcida”, disse Macron, acrescentando que a Europa acumulou um déficit comercial com a China no valor de 1 bilhão de euros (US$ 1,14 bilhão) por dia.
Os dois líderes já haviam delineado propostas para que a França cooperasse com a Alemanha em dissuasão nuclear, diante de sinais cada vez mais claros vindos de Washington de que os Estados Unidos buscavam reduzir seus compromissos de defesa na Europa.
“Estamos adotando uma abordagem gradual aqui, e isso pode muito bem resultar em uma nova doutrina, mas ainda é muito cedo para afirmar isso hoje”, disse Merz, acrescentando que qualquer cooperação complementaria os acordos existentes no âmbito da Otan.
Macron deixou claro que a França manteria total responsabilidade pelo financiamento de sua força de dissuasão nuclear.
“O financiamento do programa nuclear francês sempre será assegurado pela França”, disse ele, quando questionado sobre se a França estava considerando a possibilidade de a Alemanha contribuir para o cofinanciamento do programa.
O chamado Sistema Aéreo de Combate do Futuro deve continuar, apesar da decisão de abandonar os planos para um caça comum, com o desenvolvimento dos sistemas de informação baseados em nuvem no centro do projeto.
“Os projetos restantes, incluindo aqueles relacionados à nuvem e a outras áreas, continuam avançando entre nossos fabricantes”, disse Macron.
