Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o advogado Walfrido Warde alertou o dono do Banco Master, em março de 2025, para uma jogada “da Globo” contra o banqueiro. Warde mandou um áudio a Vorcaro no dia 30 de março daquele ano. Dois dias antes, o BRB havia anunciado a compra de 58% do capital total do Banco Master. A operação, tanto Warde quanto Vorcaro sabiam, só pararia de pé com a anuência do Banco Central de Gabriel Galípolo, alguém que Vorcaro esperava controlar a partir da influência de Lula no governo.
https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Audio-2026-10-16-at-18.56.47.ogg “A Globo tá querendo, basicamente, quebrar o teu apoio interno dentro do PT. Entendeu? É isso que eles querem. Eles querem tirar o apoio do presidente. Já entenderam que o teu apoio vem do presidente. Então eles querem tirar o teu apoio”, disse Warde, que foi o responsável por aproximar o banqueiro de Lula no famoso encontro fora da agenda no Planalto, meses antes no fim de 2024. Para justificar a avaliação, Warde mandou ao Vorcaro o print de uma notícia do jornal O Globo que falava dos serviços de consultoria prestados por Guido Mantega ao banqueiro e do encontro armado pelo ex-ministro petista com Lula e o banqueiro no Planalto.
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Lula é citado 20 vezes em mensagens encontradas no celular de Vorcaro Entre abril de 2023 e julho de 2025, o advogado Walfrido Warde encaminhou a Daniel Vorcaro pelo menos 20 mensagens citando o presidente da República. Os diálogos foram encontrados no celular do banqueiro e mostram que, por mais de um ano, houve uma intensa negociação com o apoio do Palácio do Planalto para salvar o Master da bancarrota. As mensagens mostram que o advogado contratado pelo Master demonstrava um acesso excepcional ao Palácio do Planalto e aos principais assessores de Lula, especialmente Marco Aurélio Santana, o Marcola, chefe de gabinete do presidente – mas não só.
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“Vou conseguir uma audiência tua com o PR”, garantiu Warde em 19 de abril. “Saí da sala do presidente”, escreveu ele no mês seguinte. “Ele me perguntou do teu e-mail”, ressaltou o advogado. Os dois conversam depois pelo telefone – o que deixa claro que os assuntos mais delicados não eram tratados por mensagens. Em agosto, Warde diz que iria a Brasília e pede o avião do banqueiro. “Vou falar com o Presidente na quinta”, informa. Em setembro, o advogado comunica que esteve “com o presidente Lula longamente ontem” e enfatiza: “Você vai gostar, muito importante para você”. Vorcaro pergunta: “Você falou de mim?” “Claro”, respondeu. Em novembro, Warde parece ter finalmente destravado a agenda de Lula. “Quando você pode encontrar o presidente?”, pergunta. Na sequência, os dois se falam pelo telefone. “Tudo ajustado”, confirma o advogado. “Tua reunião será na quarta às 11”, ressalta.
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Na data da reunião com Lula, no dia 4 de dezembro, o advogado advertiu: “O presidente está um pouco impaciente hoje”. Depois da reunião, sugerindo que havia falado com o próprio presidente ou com alguém que estava presente no encontro, Wardi ressalta que iria dar “um feedback do homem”. Depois disso, o advogado e o banqueiro articulam o que seria um segundo encontro com o presidente – encontro que o Palácio do Planalto garante que nunca aconteceu. “Estive com o PR hoje”, diz Warde em janeiro de 2025. Dois meses depois, em março, o advogado encaminha a Vorcaro uma mensagem que recebeu: “PR disse que topa receber o chefe. Mas disse que vai chamar o Jaques para participar”. Na sequência, o advogado escreve: “Presidente vai me ligar daqui a alguns minutos. Vou ajustar a data do seu encontro”.
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Os planos de Vorcaro para salvar o banco começaram a ruir. Em 17 de julho, o banqueiro mandou o advogado passar um recado a Lula: “Avise o presidente amanhã e vamos para a guerra”. Num grupo chamado “Amigos”, Marcola, o chefe de gabinete, diz que repassou o recado ao presidente. “Nós vamos quebrar tudo”, ameaçou Warde. “Avisa o chefe por favor”, ressalta. Wardi recebe uma mensagem de alguém próximo ao presidente: “O PR falou com o Guido”.
Em agosto, Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB), perguntou a Vorcaro: “O Presidente Lula apoia ou não a operação”. O banqueiro e o advogado articulavam a venda do Master, na iminência de quebrar, ao Banco de Brasília. Vorcaro recomenda que a questão seja encaminhada por “Edinho” – provavelmente Edinho Silva, presidente do PT. “Melhor via ele e não expor o presidente [Lula]”, escreveu o banqueiro.
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O Master foi liquidado pelo Banco Central três meses depois.
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