O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, realizou neste sábado (12) um comício em Cabo Frio, na Região dos Lagos, no Rio. Durante o ato, o senador voltou a negar irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio à divulgação de novos documentos do caso Master, que o colocam formalmente como investigado pela Polícia Federal, Flávio direcionou suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa.
“Eu acho que o impacto é zero. Está tudo aberto para quem quiser ver”, afirmou Flávio ao comentar a retirada do sigilo do caso. Segundo ele, os recursos obtidos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme são resultado de “uma relação privada para um filme privado”. Lula, Caiado, Cury e Zema reagem à quebra de sigilo das investigações do Caso Master Análise: Caminho para envolver Eduardo Bolsonaro no caso Master está interditado Quebra de sigilo expõe Flávio Bolsonaro investigado; entenda A PF investiga Flávio por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme. Documentos divulgados nesta semana apontam que o senador atuou diretamente nas negociações com Vorcaro para obter recursos para a produção. A investigação também apura se parte do dinheiro foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
No discurso, Flávio puxou um coro de “Fora Lula, Fora Moraes e Fora Paes” e voltou a associar o presidente ao ministro do STF. “Quem vota em Lula vota em Moraes”, afirmou. Em seguida, chamou Moraes de “laranja podre” e defendeu seu afastamento da Corte.
O discurso ocorre às vésperas de uma sessão do STF que deve analisar, na próxima terça-feira (15), a investigação envolvendo Moraes no contexto do caso Master. A crise dentro da Corte se intensificou após a divulgação de documentos e mensagens envolvendo o ministro e Vorcaro.
Flávio também afirmou que, se eleito, poderá indicar até cinco ministros para o Supremo. Disse que escolheria nomes “contra aborto, contra drogas” e que respeitem a Constituição.
Ao lado do palco, participou do evento discretamente Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e pivô do caso das “rachadinhas”. Queiroz atualmente é subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, na Região dos Lagos.
O ato em Cabo Frio abriu uma agenda de campanha de Flávio pelo interior do Rio.
Valor