Pesquisadores desenvolveram uma prótese de titânio impressa em 3D que imita diferentes estruturas do corpo para tentar resolver um dos desafios de reconstruções envolvendo grandes perdas ósseas: fazer com que um mesmo implante consiga se integrar tanto ao osso quanto aos tendões. O estudo foi publicado em 11 de setembro na revista científica Biomaterials Research. A tecnologia ainda está em estágio pré-clínico: os pesquisadores realizaram experimentos com células em laboratório e testes em coelhos. A ideia é criar diferentes "ambientes" dentro de uma mesma prótese. Na região destinada ao contato com o osso, os cientistas imprimiram uma estrutura porosa inspirada no osso trabecular, tecido de aspecto semelhante a uma rede encontrado no interior dos ossos. Já na área destinada à ligação com o tendão, foram criadas microestruturas ordenadas que procuram reproduzir a organização desse tecido. O problema ocorre principalmente em grandes defeitos ósseos e reconstruções complexas de articulações. Nesses casos, a perda de osso também pode eliminar os pontos naturais de fixação de tendões e ligamentos. Assim, uma prótese precisa cumprir duas funções biologicamente diferentes: integrar-se ao osso para permanecer estável e, ao mesmo tempo, oferecer uma superfície adequada para a fixação dos tecidos moles. Nos experimentos em laboratório, cada arquitetura apresentou vantagens diferentes. A estrutura inspirada no tendão favoreceu o alinhamento e a diferenciação de células-tronco derivadas de tendões. Já a estrutura semelhante ao osso trabecular favoreceu a diferenciação de células-tronco da medula óssea em direção ao tecido ósseo e sua mineralização. Os pesquisadores também testaram os implantes em 36 coelhos, divididos em três grupos. Um recebeu uma estrutura inspirada apenas em tendão, outro uma estrutura trabecular e o terceiro uma prótese que combinava as duas arquiteturas em regiões distintas. Nos animais, o tendão patelar foi separado de seu ponto de fixação na tíbia e conectado à parte superior da prótese, enquanto a parte inferior do implante foi inserida no osso. Os resultados reforçaram a diferença entre as estruturas. Nos testes mecânicos realizados 12 semanas depois da implantação, o modelo que combinava as duas arquiteturas apresentou a maior força máxima necessária para separar o tendão da prótese entre os três grupos. Segundo os autores, o resultado indica que a divisão da prótese em regiões especializadas melhorou a estabilidade mecânica da interface entre o implante e o tendão. Os autores apontam potencial para o conceito em reconstruções complexas de articulações e grandes defeitos ósseos, mas os resultados apresentados até agora são experimentais e não demonstram eficácia ou segurança em seres humanos. Mais Lidas
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Prótese impressa em 3D que imita ossos e tendões mostra resultados promissores em testes com coelhos
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