Em ato no Rio na véspera do 2º turno, Lula chama Flávio de 'miliciano' e diz que povo quer mudança 'para melhor'

Em ato no Rio na véspera do 2º turno, Lula chama Flávio de 'miliciano' e diz que povo quer mudança 'para melhor' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

No penúltimo ato da campanha presidencial, em Copacabana, Zona Sul do Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa, e afirmou que os oponentes de eleições anteriores tinham um "nível superior". Antes de percorrer a orla com aliados e cumprimentar eleitores de cima de uma caminhonete decorada com a bandeira do Brasil, o petista disse ter ficado impressionado com a "desfaçatez" do rival durante a corrida ao Planalto.

Caso Ana Clara, disputa por ilha, 'nove dedos': o debate da TV Globo entre Flávio Bolsonaro e Lula em oito pontos Jogo Político: Flávio ou Lula, quem vai ganhar a eleição? Marqueteiros e donos de institutos de pesquisa respondem

— Eu que já tinha disputado eleições com tanta gente, com o Ulysses Guimarães, com o [Leonel] Brizola, com o Mário Covas, já tinha disputado com o Fernando Henrique Cardoso, já tinha disputado com o [José] Serra, com o [Geraldo] Alckmin, ou seja, tanta gente importante da política brasileira e dessa vez eu tive que disputar eleição com uma pessoa que não é uma pessoa, é uma mentira.

Eu nunca vi ninguém com uma desfaçatez e com nenhum comprometimento com a verdade como o meu adversário — afirmou Lula. Galerias Relacionadas

O presidente também acusou Flávio de mentir repetidamente e questionou se o Brasil merece ter um candidato com o perfil do senador. — Ninguém é obrigado a votar em nenhum candidato, a pessoa vota em quem quiser.

Agora, a única coisa que nós temos que convencer a sociedade brasileira é que eles [os eleitores] não podem levar um miliciano para dentro do palácio — disse Lula, sem apresentar provas para sustentar a acusação. Em ato no Rio, Lula chama Flávio de 'miliciano' e diz que povo quer mudança 'para melhor'

O petista demonstrou confiança na virada, depois de ficar atrás do oponente no primeiro turno, por 47% a 45% dos votos válidos. Ele afirmou que espera ser reeleito presidente neste domingo e se referiu a um dos motes de campanha de Flávio, de que o povo quer "mudança", mas chamou a atenção para o legado da gestão de Jair Bolsonaro.

— É verdade que o povo quer mudança. Mas mudança para melhor.

Mudança para frente. Não podemos esquecer o que aconteceu no mandato dessa gente nesse país — declarou, em referência à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.

— Eu estou muito otimista. Apoiador de Lula segura cartaz que chama Flávio Bolsonaro de miliciano durante ato em Copacabana, no Rio

Lívia Nani/Agência O Globo Lula disse que a única frustração da campanha no Rio de Janeiro foi a falta de tempo para uma caminhada na Baixada Fluminense, onde, segundo ele, gostaria de conversar com prefeitos.

Ele citou investimentos na região e afirmou que, caso não seja reeleito, as obras por lá parariam sob Flávio. Ao encerrar o discurso, o presidente agradeceu o trabalho dos militantes petistas na campanha pelo segundo turno e destacou a mobilização das últimas semanas em torno de sua candidatura.

— Temos um Exército de democratas — afirmou ele, que mais cedo participou da live do deputado federal reeleito André Janones (Avante), responsável pela mobilização no canal do WhatsApp "Exército do Lula". Manifestação em apoio a Lula em Copacabana - O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de uma caminhada na orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo Marcia Foletto / Agência O Globo

Milhares de apoiadores se reúnem desde cedo em Copacabana para acompanhar o ato. Intitulado “Brasil pronto pra Mais”, o evento conta com parlamentares e lideranças políticas e sociais, além de representantes regionais e nacionais.

Logo no início do percurso, o candidato à reeleição balançou uma bandeira do Brasil e acenou para a militância de cima de uma caminhonete, onde também estavam lideranças políticas do estado, como o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Benedita da Silva (PT) — os dois concorreram a governador do estado e senadora, mas foram derrotados por correligionários de Flávio Bolsonaro.

De boné vermelho e camisa clara, Lula pulou e cumprimentou apoiadores e outros aliados que passam pela plateia no mesmo comboio, como o atual prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD); o prefeito da cidade vizinha Niterói, Rodrigo Neves (PDT); e a primeira-dama, Janja da Silva.

Em determinado momento do ato, Lula avisou pelo microfone que o pneu do carro havia furado. — Se fosse o meu adversário, ele ia dizer que ia voando para lá.

Como eu sou um ser humano e não sou mentiroso, nós vamos ter que aguardar uma solução para consertar o pneu do carro. Enquanto isso, gente, é muita música, muita alegria, porque eu estou com sabor de vitória na boca! — ressaltou.

Militância cita caso Ana Clara e 'nove dedos' O caso Ana Clara — citado por Lula no debate da Globo, na noite desta sexta-feira — é um dos temas que mais mobiliza a militância, assim como a referência pejorativa do senador aos "nove dedos" do adversário.

Manifestação em apoio a Lula em Copacabana Guito Moreto / Agência O Globo

A estudante Marcelle Peçanha, de 19 anos, que compareceu ao ato acompanhada da mãe, Fabiana Peçanha, de 47 anos, dona de casa. Fabiana segurava um cartaz feito pela filha com a mensagem: “Meu voto é pela menina Ana Clara.

Digite no Google: caso Ana Clara Flavio Bolsonaro”. — Não é possível alguém se candidatar a presidente defendendo um assassino de uma criança de cinco anos.

Eu quero justiça pela Ana Clara — disse Marcelle. Outra apoiadora levou às ruas um cartaz com referência aos "nove dedos" de Lula, citados por Flávio durante o debate na TV quando se referia ao valor do salário mínimo.

O candidato à reeleição criticou a fala do rival pelo teor capacitista e lembrou do acidente de trabalho que o fez perder o dedo. "Somos todos 9 dedos.

Mãos limpas", destacou a militante no ato. Manifestação em apoio a Lula em Copacabana

Marcia Foletto / Agência O Globo Entre os aliados do presidente que participam do evento nesta manhã, estão ainda o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), e o coordenador da campanha Camilo Santana.

Os deputados federais eleitos pelo Rio Marcelo Freixo (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Daniel Soranz (PSD) também marcaram presença no ato. Nas areias de Copacabana, apoiadores estenderam uma faixa que insinua ameaças da campanha adversária às riquezas naturais do país.

"Não entregaremos nossas praias", afirma a mensagem. A concentração começou às 9h, no Posto 5, na Avenida Atlântica, com a presença de apoiadores e um carro de som.

Lula chegou ao local por volta das 9h40. Enquanto apoiadores e aliados de Lula percorriam Copacabana, o deputado federal André Janones (Avante-MG) conduzia uma transmissão ao vivo no perfil oficial do petista, a "Live da Virada".

O parlamentar mobilizou a militância no espaço digital no segundo turno e conseguiu reunir mais de 10 milhões de pessoas no canal do WhatsApp "Exército do Lula", que chegou a ser suspenso em meio a uma série de decisões conflitantes entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento da ferramenta.

Flávio Bolsonaro reúne apoiadores em Minas Gerais Na última tentativa de mobilizar o eleitorado mineiro antes do segundo turno, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participa neste sábado de um ato em Belo Horizonte, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos).

A programação inclui uma motociata pelas ruas da capital e um discurso do senador na Praça da Liberdade, onde apoiadores começaram a se reunir pela manhã. O encontro deve marcar a primeira participação conjunta de Flávio e Cleitinho em um ato de campanha nesta eleição.

A presença neste sábado reforça a tentativa de reunir as principais lideranças da direita mineira em torno da candidatura presidencial na reta final da disputa contra Lula. Por volta de 9h50, Flávio decolou do Rio rumo ao evento, acompanhado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A partir das 14h, será a vez de Flávio ir ao Rio para uma agenda semelhante na Zona Oeste da capital fluminense. Lula, à tarde, seguirá para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde também fará uma caminhada.

Os eventos encerram a mobilização dos candidatos antes da votação deste domingo (25). A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Flávio com 48% das intenções de voto no Sudeste, contra 39% de Lula.

No cenário nacional, porém, os candidatos aparecem tecnicamente empatados: o senador tem 45%, ante 44% do presidente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que ajuda a explicar a escolha dos estados para os últimos atos de campanha. As duas campanhas também tentam reduzir a abstenção, que chegou a 21,08% no país no primeiro turno.

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Guarulhos e Campinas somaram 4,3 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 13% do total nacional. No Rio, a taxa foi de 23,32%.

Aliados de Lula buscam ampliar a mobilização no Sudeste e estimular a participação de eleitores com mais de 70 anos. Já Flávio tem pedido que apoiadores convoquem familiares, amigos e vizinhos para votar.

Segundo as regras da Justiça Eleitoral, caminhadas, passeatas e carreatas, com ou sem carros de som, podem ocorrer até as 22h deste sábado. O mesmo prazo vale para a distribuição de material gráfico, como santinhos e folhetos, e para a fixação de wind banners.

Depois desse horário, essas atividades ficam proibidas. No domingo, a propaganda eleitoral paga na internet não pode ser impulsionada, e novos conteúdos de propaganda eleitoral não podem ser publicados.

Conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial também estão sujeitos à proibição de veiculação no período que vai de 72 horas antes da votação até 24 horas após o encerramento do pleito.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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