Em ano difícil, Leroy Merlin e Quero-Quero crescem ganhando de mercado

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Fonte da notícia: Valor Valor

Após um primeiro semestre considerado difícil, varejistas de material de construção apontam uma melhora nas vendas. O avanço, no entanto, não vem de condições macroeconômicas, mas de ganho de mercado, em um setor ainda muito pulverizado.

A Leroy Merlin, que tem um faturamento na casa dos R$ 10 bilhões ao ano, não cresceu em 2025 nem no primeiro semestre, mas voltou a ver uma melhora no terceiro período, que continua até o momento, afirma ao Valor Ricardo Dinelli, CEO para o Brasil. “Minha expectativa é terminar o ano com crescimento”, diz.

A Lojas Quero-Quero, única do setor que é listada na bolsa brasileira, divulgou seu balanço do terceiro trimestre na quinta-feira (5), com alta anual de 6,8% na receita líquida no acumulado de janeiro a setembro, de R$ 2,17 bilhões, e crescimento de 5,4% no indicador de vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês), que havia recuado 1,8% no mesmo período de 2025.

“O que temos visto é que o mercado não melhorou, mas seguimos crescendo, ganhando participação”, afirmou o diretor financeiro Jean Pablo de Mello, em teleconferência com analistas. Peter Furukawa, CEO da Quero-Quero, afirmou que a recuperação das vendas “está se tornando mais consistente”, sem que a empresa sacrifique margem para isso.

Ainda de acordo com ele, é cedo para estipular como será o último trimestre, que depende das respostas à Black Friday e ao Natal. “Mas posso dizer que, até o dia 5 de novembro, temos mantido um patamar de vendas mesmas lojas até maior do que no último trimestre”, disse, quando atingiu alta de 12%.

Dinelli, que está prestes a completar um ano à frente da operação da Leroy Merlin, afirma que já foi chamado de “otimista demais”, mas que “não subestima as dificuldades do mercado”. Segundo ele, o próximo ano vai ser difícil para a empresa e para todos, mas, mesmo assim, há oportunidade de crescer ao ganhar mercado, algo que ele analisa depender mais do trabalho interno da companhia do que do cenário macroeconômico.

A Leroy Merlin fechou duas lojas neste ano, ambas em Florianópolis, e não registrou aberturas em 2026, mas vai retomá-las: no primeiro trimestre de 2027, vai abrir uma loja do modelo “express” em Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo. O modelo abrange lojas de 450 a 800 metros quadrados.

“As lojas pequenas têm se mostrado superefetivas”, afirma. A companhia também é constantemente chamada para avaliar a compra de lojas de concorrentes que saíram do mercado, conta, mas vê novas aberturas com “bastante cautela” no momento.

O foco é em “crescimento rentável”. A Quero-Quero terminou setembro com 578 lojas no país, seis a menos do que no mesmo mês de 2025.

No terceiro trimestre, abriu duas unidades. O resultado trimestral da varejista foi considerado “misto” pelos analistas do Itaú BBA.

“Os ganhos no varejo foram amenizados por margens de crédito mais fracas em um cenário de juros mais altos”, escreveram em relatório. A margem bruta dos serviços financeiros caiu 5,7 pontos percentuais em um ano, destacam, para 35,6%.

Mello afirmou na teleconferência que a companhia fez uma restrição na concessão de crédito, entre o fim do ano passado e o começo deste ano, de olho no crescimento do endividamento da população e no aumento da inadimplência dos clientes, o que afetou o avanço da contratação dos serviços e pressionou as margens.

“Mas o objetivo foi alcançado, de manter a inadimplência controlada”, ponderou. O indicador está em 12,4%, ante 11,7% há um ano.

Dinelli não abre os dados de inadimplência da Leroy, mas afirma que a empresa sente o mesmo que o restante do mercado. A diferença é que o segmento de serviços financeiros, que inclui o cartão de crédito da loja, seria menos representativo para a multinacional francesa, na comparação com concorrentes — na Quero-Quero, por exemplo, responde por cerca de 30% da receita.

“Para a gente, não tem essa relevância no sentido de resultado, mas tem relevância no sentido da conversão da venda”, afirma. Está mais difícil aprovar o cartão do cliente e, sem isso, a empresa arrisca perder a transação.

Outra pressão para o setor é a mudança da jornada de trabalho, uma vez que o varejo adota de forma ampla a escala 6 por 1, com 44 horas semanais de trabalho, e terá que se adaptar. A Quero-Quero já realiza um projeto piloto de implementação da escala 5x2, em 104 de suas 578 lojas.

Segundo Furukawa, os resultados não têm sido positivos nem negativos. Suas lojas já não abriam aos domingos e parte delas funciona apenas em meio período aos sábados, o que facilita a adaptação.

“Somos menos impactados do que a maior parte do varejo”, disse. A Leroy também já testa o modelo 5x2, mas apenas em 15 lojas.

A escala tradicional da companhia envolve o trabalho aos sábados e em dois domingos ao mês, mais uma folga fixa semanal em dia útil. “No começo sofremos um pouco para adaptar”, afirma Dinelli.

No entanto, a empresa já começa a ver melhora no absenteísmo e na atratividade das vagas abertas.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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