Em ampliação de ofensiva naval contra o Irã, EUA se preparam para abordar navios em águas internacionais, diz jornal
Os Estados Unidos se preparam para intensificar, nos próximos dias, sua ofensiva naval contra o Irã, com planos de abordar e apreender embarcações ligadas a Teerã em águas internacionais, segundo o Wall Street Journal. A estratégia marca uma ampliação da campanha americana, que até então se concentrava no Oriente Médio, e passa a ter alcance global.
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A nova fase ocorre em meio à escalada de tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio de petróleo, onde forças iranianas têm reforçado sua presença. No sábado, embarcações comerciais foram alvo de ataques, enquanto Teerã declarou que a passagem marítima está sob “controle rigoroso”.
A movimentação elevou a preocupação de empresas de navegação e ocorre dias após autoridades iranianas afirmarem que o estreito permanecia aberto ao tráfego, declaração que foi recebida com otimismo pelo presidente americano, Donald Trump.
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De acordo com integrantes do governo americano, o endurecimento das ações busca forçar o Irã a reabrir completamente a rota marítima e avançar nas negociações sobre seu programa nuclear. As conversas entre os dois países seguem sem acordo, e um cessar-fogo temporário deve expirar na próxima semana.
Trump afirmou que Teerã já teria concordado em entregar seu estoque de urânio altamente enriquecido, o que foi negado pelo governo iraniano. Entre os principais impasses estão o prazo para suspensão do enriquecimento e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior.
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Bloqueio naval e frota fantasma
Na prática, os EUA já vêm restringindo a movimentação marítima iraniana. Segundo o Comando Central, 23 navios foram impedidos de deixar portos do país como parte de um bloqueio em curso.
Com a ampliação da ofensiva, Washington pretende interceptar embarcações ligadas ao Irã em diferentes partes do mundo, incluindo petroleiros que operam fora do Golfo Pérsico e navios suspeitos de transportar armamentos.
O chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, afirmou que qualquer embarcação com bandeira iraniana ou envolvida em apoio ao país poderá ser alvo. A medida inclui a chamada “frota fantasma”, formada por navios que operam à margem de regulações internacionais para driblar sanções.
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A operação deve envolver, entre outras estruturas, o Comando Indo-Pacífico dos EUA e integra uma nova fase da estratégia de pressão sobre Teerã, batizada de “Fúria Econômica”.
Ampliação das sanções
A ofensiva também passa por um reforço nas sanções. O Departamento do Tesouro ampliou a lista de embarcações, empresas e indivíduos ligados ao comércio de petróleo iraniano, mirando redes consideradas essenciais para sustentar a economia do país.
Entre os alvos está o empresário Mohammad Hossein Shamkhani, ligado ao transporte de petróleo e filho de um ex-assessor de segurança do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
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Autoridades americanas também prometeram processar qualquer agente envolvido na compra ou venda de petróleo iraniano sob sanções, ampliando o alcance da pressão para além do campo militar.
Grande parte das exportações do Irã, cerca de 1,6 milhão de barris por dia, tem como destino a China, o que levou autoridades americanas a sinalizarem preocupação com o papel de Pequim na manutenção desse fluxo.
Risco de escalada militar
Apesar do aumento da pressão, Washington afirma que ainda busca uma solução negociada. Segundo a Casa Branca, a combinação entre bloqueio naval e sanções pode abrir caminho para um acordo.
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Nos bastidores, no entanto, ambos os lados se preparam para a possibilidade de retomada dos combates. O Irã mantém milhares de mísseis de curto e médio alcance e tem mobilizado lançadores armazenados em instalações subterrâneas.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que as forças americanas estão “totalmente posicionadas” para agir caso as negociações fracassem. Ainda assim, integrantes do governo descartam, por ora, o envio de tropas terrestres.
Ataques a infraestruturas estratégicas, como usinas de energia iranianas, seguem no radar, mas são considerados de alto risco, já que poderiam desencadear retaliações contra instalações energéticas na Arábia Saudita e em outros aliados dos EUA.
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Para o professor de direito Mark Nevitt, da Universidade Emory, a estratégia americana combina diferentes frentes simultâneas no mar.
— É uma abordagem maximalista. Se o objetivo é pressionar o Irã, todas as ferramentas legais disponíveis estão sendo usadas — afirma.
