Há mais de três décadas — precisamente em 1995 —, a atriz britânica Elizabeth Hurley se engajou numa causa pouco falada e cercada de tabus: ela emprestou o rosto e a voz para a campanha contra o câncer de mama da The Estée Lauder Companies. Em entrevista exclusiva para a ELA, Liz, como é chamada, lembra bem daqueles dias. “Tinha acabado de perder minha avó para a doença. Lembro-me de ela se recusar a falar sobre o assunto, sentia-se embaraçada, humilhada, era um estigma, e não queria mostrar os seios para ninguém. Quando finalmente procurou o médico, já era tarde”, conta. “Foi exatamente nesse período que Evelyn Lauder (então vice-presidente da empresa) me convidou para ser embaixadora da campanha. Aceitei imediatamente”, emenda. A atriz Elizabeth Hurley Xavi Gordo/Trunk Archive Aos 61 anos e com o mesmo entusiasmo e sentido de urgência, a atriz desembarca no Rio, nesta segunda-feira, reuniu-se com mulheres num hotel da cidade para propagar a mensagem atrelada à campanha, presente em mais de 70 países. Desta vez, a filial brasileira da marca, que já apoia as ONGs Américas Amigas e Instituto de Quimioterapia e Beleza, firma parceria com o Instituto Protea em jantar beneficente com leilão, e lança um sérum anti-idade, que terá parte da renda das vendas revertidas para a causa. “Estou ansiosa para conhecer mulheres e instituições brasileiras envolvidas com o tema”, comenta Liz. O engajamento da The Estée Lauder Companies com o câncer de mama teve início na década de 1990. A austríaca naturalizada americana Evelyn Lauder (1936-2011), nora da fundadora da marca, foi diagnosticada com a doença nos anos 1980. Em 1992, ela se aliou à editora da revista feminina americana Self, Alexandra Penney, e juntas idealizaram uma campanha contra o câncer de mama cuja identidade era o laço cor-de-rosa, que logo se tornou oficialmente o símbolo da conscientização e prevenção da doença em todo o mundo. Em 1993, Evelyn foi além e fundou a Breast Cancer Research Foundation (BCRF). De lá para cá, 156 milhões de dólares já foram destinados para pesquisa, educação e serviços médicos. A personalidade desbravadora da ativista e filantropa é citada com emoção pela atriz. “Eu a amava, era uma mulher maravilhosa. Tudo que fizemos foi graças a Evelyn”, declara. “Estou desde o começo. Ela me chamou, primeiramente, para ser o ‘rosto’ da marca. Na sequência, perguntou se poderia ajudá-la com uma nova campanha e arrecadar dinheiro para a fundação que havia criado. Por anos, viajamos ao redor do mundo, levando informação”, recorda-se Liz. “Nessas três décadas, vieram à tona pesquisas incríveis e novos tratamentos, que fizeram muita diferença. Porém a mensagem continua a mesma: o diagnóstico precoce salva vidas.” Diretora geral da The Estée Lauder Companies no Brasil, Barbara Fortes frisa que a conscientização precisa caminhar junto com a ação. “Queremos transformar a força da nossa campanha e o impacto de nossas marcas em impacto concreto para as mulheres brasileiras”, ressalta. Sem distinção de idade, inclusive. “As mais jovens acreditam estar distantes do diagnóstico. Porém, infelizmente, não é assim. Nos últimos anos, a incidência do câncer de mama cresceu entre elas. As mulheres precisam estar atentas, se autoexaminar e procurar orientação médica diante de qualquer alteração”, frisa a atriz. A atriz Elizabeth Hurley Xvi Gordo/Trunk Archive
Elizabeth Hurley reflete sobre morte da avó em função do câncer de mama: 'Um estigma'
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O Globo
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