'Eles mataram o meu irmão': mulher encontra cápsulas no chão e contesta versão da PM após morte em abordagem na Pavuna
A irmã de Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, contesta a versão da Polícia Militar sobre a morte do empresário durante uma abordagem na Pavuna, Zona Norte do Rio. Chorando, Tais Oliveira afirmou que encontrou cápsulas de munição que teriam sido deixadas no local após a perícia.
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Tais foi à Rua Doutor José Thomas, na altura do número 1.002, onde seu irmão foi atingido, na madrugada desta quarta-feira. Abalada, ela segurava duas cápsulas de bala que, segundo disse, estavam no chão da via.
— A gente acabou de encontrar aqui duas cápsulas. A perícia é mal feita. Eles vieram aqui e quiseram limpar o estrago que fizeram. Eles mataram o meu irmão, está aqui a prova — disse Tais.
Segundo ela, o irmão não teve possibilidade de defesa quando foi surpreendido.
— Não era situação de defesa, não teve tiro de revide, não teve injusta agressão. Eles mataram o meu irmão. Destruíram a minha família. O que eu vou falar para o meu filho, para a filha dele, para a nossa avó? — indagou Tais.
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Fabiano Rocha/Agência O Globo
Mudança para Foz do Iguaçu
A irmã também contou que Daniel planejava deixar o Rio de Janeiro nos próximos meses. A ideia era se mudar com a esposa e a filha, de 4 anos, para Foz do Iguaçu. De acordo com a irmã, o carro atingido seria usado na mudança da família.
— Ele não queria mais morar aqui, queria viver os sonhos dele. Já estavam indo embora, ele trouxe o carro pra levar mudança. A gente mora aqui há mais de 22 anos — explicou Tais.
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A picape em que Daniel estava, uma RAM Rampage branca, apresentava apenas uma marca de tiro aparente. O veículo ainda estava no local no meio da manhã.
Segundo a Polícia Militar, agentes do 41º BPM (Irajá) faziam patrulhamento por volta das 3h quando foram alertados sobre um veículo em atitude suspeita na região de acesso ao Conjunto Tom Jobim, no Complexo da Pedreira. A corporação informou que a equipe localizou o carro e deu ordem de parada.
De acordo com o registro de ocorrência, o motorista não obedeceu e teria acelerado na direção dos policiais, “configurando iminente risco à integridade física da equipe”. Ainda segundo o documento, dois agentes efetuaram disparos de fuzil calibre 7,62, um deles fez 13 tiros e o outro, 11, totalizando ao menos 24 disparos.
Um dos tiros atravessou o para-brisa e atingiu Daniel no rosto. Ele morreu no local. Além dele, estavam no veículo Michel Matheus Correia Ramos da Silva, Wesley Silva de Oliveira e Herick Souza dos Santos. Eles relataram que o grupo voltava da Estrada de Botafogo no momento da abordagem.
A ocorrência foi registrada como “homicídio em decorrência de intervenção de agente do Estado” e é investigada pela Delegacia de Homicídios. O comando da Polícia Militar informou que instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ação.
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