Mulher usava boné vermelho com slogan de Donald Trump e camiseta verde e amarela com a frase ‘Meu Partido É o Brasil’ Uma mulher foi filmada fazendo uma saudação nazista ao deixar o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, neste domingo 25, dia do segundo turno das eleições presidenciais.
As imagens mostram a eleitora com o braço direito estendido para cima e a palma da mão voltada para baixo, em um gesto historicamente ligado ao regime de Adolf Hitler, líder do Terceiro Reich na Alemanha. A mulher vestia uma camiseta verde e amarela com a frase “Meu Partido É o Brasil”, estampa que se tornou popular entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2018.
Na cabeça, usava um boné vermelho com a inscrição “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente), lema do movimento político de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A cena provocou a reação de pessoas que estavam no local.
Ao ser questionada sobre o gesto, a mulher passou a interpelar quem a confrontava, perguntando se eram comunistas. Um dos homens respondeu que era judeu.
Ela reagiu com a expressão “pior ainda”, direcionando a ofensa ao homem. No vídeo, é possível ver a presença de dois policiais militares, que nada fizeram. O episódio foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo), no Rio.
De acordo com a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar os fatos. A ocorrência foi registrada como injúria por preconceito.
Em nota, a instituição judaica StandWithUs Brasil afirmou que repudia veementemente o episódio de antissemitismo e apologia ao nazismo no Rio de Janeiro e prestou solidariedade . “O antissemitismo é incompatível com a democracia, e sua presença é um dos sinais mais claros de crise democrática.
Deve ser combatido com firmeza, venha de onde vier”. “A StandWithUs Brasil repudia veementemente o episódio de antissemitismo e apologia ao nazismo ocorrido neste domingo (25), no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, no Rio de Janeiro, durante o segundo turno das eleições.
Segundo relatos e vídeo divulgado nas redes, uma eleitora teria feito a saudação nazista repetidas vezes e, ao saber que um jovem presente era judeu, respondido: “pior ainda”. O gesto remete ao regime responsável pelo assassinato de seis milhões de judeus e de milhões de outras vítimas.
Não é liberdade de expressão: é uma ofensa à memória do Holocausto, agravada por ter ocorrido em pleno exercício do voto. A apologia ao nazismo é crime no Brasil (Lei nº 7.716/1989).
Acompanharemos a investigação da Polícia Civil e confiamos que os envolvidos serão responsabilizados. O antissemitismo é incompatível com a democracia, e sua presença é um dos sinais mais claros de crise democrática.
Deve ser combatido com firmeza, venha de onde vier. Por isso, por meio do Centro de Educação e Memória do Holocausto (CEMH), levamos a escolas, universidades e à sociedade civil atividades com especialistas e sobreviventes que se refugiaram no Brasil.
Manifestamos nossa solidariedade ao jovem atingido e a toda a comunidade judaica brasileira.” O caso se soma à repercussão de uma fotografia feita em Grajaú, no Maranhão, durante uma carreata de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), na noite de sábado 24.
A imagem mostra jovens sorrindo e posando abraçados, com viaturas policiais ao fundo, enquanto vestem camisetas com referências explícitas ao nazismo e ao fascismo. A estampa retrata Flávio caracterizado como Adolf Hitler e fazendo a saudação nazista.
A peça também traz símbolos associados ao regime alemão, uma referência às SS – milícia nazista – e a frase em inglês “long live fascism”, que significa “vida longa ao fascismo”. Os três homens de Grajaú, no Maranhão, com camiseta com menções fascistas.
Foto: Reprodução/redes sociais Tanto a saudação como o uso da camiseta podem ser enquadrados na Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, que prevê punição para a divulgação de símbolos nazistas com a finalidade de propagar essa ideologia.
O artigo 20, parágrafo 1º, estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a suástica para divulgar o nazismo. A liberdade de expressão não protege manifestações que configurem crimes previstos na lei.
Vinícius Nunes Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes.
Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News. Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo.
Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global. Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Carta Capital