Eleição pode acelerar o coração? Entenda a relação com o estresse

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Com o segundo turno das eleições de 2026 marcado para este domingo (25), o clima político pode ficar mais intenso. Debates, notícias, redes sociais, conversas com familiares e amigos e a expectativa pelo resultado podem provocar ansiedade, irritação, entusiasmo ou preocupação.

SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK E essas emoções não ficam apenas na cabeça.

Em situações de estresse ou forte emoção, o organismo entra em estado de alerta. A frequência cardíaca pode aumentar, a respiração ficar mais rápida e a pressão arterial subir.

Por isso, é possível perceber o coração batendo mais forte ou mais depressa durante uma discussão, ao acompanhar uma notícia ou diante de uma situação considerada importante. Mas sentir o coração acelerar não significa necessariamente ter uma arritmia.

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Por que o estresse acelera o coração? Quando o organismo interpreta uma situação como ameaçadora ou muito importante, ocorre uma resposta de estresse que prepara o corpo para agir.

Entre as mudanças provocadas por essa resposta está o aumento da frequência cardíaca. A adrenalina participa desse processo e ajuda a direcionar o organismo para um estado de maior alerta.

É por isso que uma pessoa pode perceber o coração disparar antes de uma prova, durante uma competição esportiva, em uma apresentação no trabalho ou em uma discussão que considera importante. A American Heart Association explica que ansiedade, medo e sofrimento emocional intenso podem provocar taquicardia sinusal, situação em que o coração bate mais rapidamente, mas mantém o ritmo cardíaco adequado.

Taquicardia é a mesma coisa que palpitação? Não.

Taquicardia é o termo usado para uma frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto em repouso. Isso não significa automaticamente que exista uma doença: o coração pode acelerar temporariamente por causa de exercício, emoções, estresse, febre ou outras situações.

Já palpitação é a percepção dos próprios batimentos. A pessoa pode sentir o coração acelerado, forte, “falhando” ou batendo de maneira diferente.

Palpitação é um sintoma, não um diagnóstico. Ela pode aparecer em situações de estresse e ansiedade, mas também pode estar relacionada a alterações do ritmo cardíaco, consumo excessivo de cafeína, falta de sono, álcool, alguns medicamentos e outras condições.

Por isso, não é correto concluir automaticamente que uma palpitação é “apenas ansiedade”. O que a eleição tem a ver com isso?

Eleições podem funcionar como situações de estresse psicológico porque envolvem incerteza, expectativa, identificação emocional e, em alguns casos, conflitos entre pessoas com opiniões diferentes. Pesquisas realizadas em eleições presidenciais nos Estados Unidos encontraram alterações relacionadas ao estresse e à saúde durante períodos eleitorais.

Um estudo com 125 adultos acompanhados diariamente durante a eleição de meio de mandato de 2018 mostrou que a expectativa de situações estressantes relacionadas à eleição esteve associada a aumento do afeto negativo, principalmente nos dias que antecederam a votação. Outro estudo, publicado no Journal of the American Heart Association, analisou dados de 2.436 pacientes que tinham dispositivos cardíacos implantados e encontrou aumento da incidência de arritmias durante o período da eleição presidencial americana de 2016.

Os autores sugeriram que o estresse sociopolítico poderia contribuir para esse aumento, mas o estudo envolveu pessoas que já tinham condições cardíacas que exigiam dispositivos implantados e não permite dizer que uma eleição provoque arritmia em qualquer pessoa. Um trabalho diferente, envolvendo mais de 6,3 milhões de adultos, também encontrou aumento de hospitalizações por doenças cardiovasculares nos dias seguintes à eleição presidencial americana de 2020.

Novamente, trata-se de uma associação observada em uma população específica e não de uma prova de que o estresse eleitoral seja a causa individual de um evento cardíaco. Então ficar nervoso com a eleição faz mal ao coração?

Não é preciso transformar uma emoção passageira em motivo de preocupação. O corpo foi preparado para responder a momentos de estresse.

Uma aceleração temporária dos batimentos durante uma situação emocional pode fazer parte dessa resposta. A preocupação maior está relacionada ao estresse intenso ou persistente, especialmente quando ele se soma a outros fatores de risco cardiovascular.

A American Heart Association explica que o estresse constante pode manter o organismo em um estado de maior ativação, com aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Também pode influenciar comportamentos como sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de cigarro ou álcool.

Por isso, uma discussão política ocasional é uma coisa. Passar dias dormindo mal, constantemente irritado e acompanhando notícias sem conseguir se desligar é outra.

Como evitar que a política tome conta do corpo? Não é necessário deixar de acompanhar as eleições.

Algumas atitudes simples podem ajudar a impedir que o acompanhamento das notícias se transforme em uma fonte permanente de tensão: Escolha horários para se informar, em vez de acompanhar as notícias continuamente.

Prefira fontes confiáveis e evite passar horas alternando entre redes sociais e comentários. Faça pausas ao perceber que está ficando muito irritado ou ansioso.

Mantenha atividade física e momentos de lazer mesmo durante períodos de maior interesse político. Preserve o sono, principalmente na véspera de acontecimentos importantes.

Evite transformar toda conversa em uma discussão política. Aceite que parte do resultado não está sob seu controle.

A ideia não é deixar de se importar. É evitar que a preocupação ocupe todos os espaços da rotina.

E se o coração disparar durante uma discussão? Se perceber os batimentos acelerados durante uma situação de estresse, o primeiro passo pode ser interromper a discussão e procurar um lugar tranquilo.

Sentar, reduzir os estímulos e respirar de maneira calma pode ajudar o organismo a sair gradualmente do estado de alerta. A própria orientação do Ministério da Saúde reconhece que ansiedade pode produzir sintomas físicos como coração acelerado, taquicardia e palpitações.

Ao mesmo tempo, a avaliação clínica precisa considerar outras possíveis causas quando os sintomas são persistentes ou diferentes do habitual. Não é recomendável tentar determinar sozinho, apenas pela sensação, se o problema é ansiedade ou uma alteração cardíaca.

Quando o coração acelerado merece atenção? Uma palpitação ocasional que desaparece rapidamente pode não representar um problema grave.

Mas episódios recorrentes, prolongados ou que estão ficando mais frequentes merecem avaliação profissional. É especialmente importante procurar atendimento quando os batimentos acelerados aparecem junto com dor ou pressão no peito, falta de ar importante, tontura intensa, sensação de desmaio ou desmaio.

Esses sinais podem indicar uma situação que precisa de avaliação urgente. No Brasil, diante de uma emergência médica, o serviço do SAMU pode ser acionado pelo telefone 192.

O coração também reage ao que sentimos A reta final de uma eleição pode ser emocionalmente intensa.

Para algumas pessoas, o resultado importa muito; para outras, o processo eleitoral pode simplesmente gerar preocupação ou cansaço. O organismo não faz essa distinção de maneira tão simples.

Emoções podem alterar temporariamente os batimentos, a respiração e outros sinais físicos. Isso faz parte da maneira como o corpo responde ao estresse.

Mas existe uma diferença importante entre sentir o coração acelerar durante uma emoção intensa e ter uma alteração do ritmo cardíaco. Por isso, não é preciso entrar em pânico ao perceber o coração bater mais rápido durante uma discussão ou notícia eleitoral.

Ao mesmo tempo, não é seguro atribuir automaticamente qualquer palpitação à ansiedade. A melhor estratégia é cuidar do estresse sem ignorar sinais persistentes ou diferentes do habitual.

A eleição termina, a discussão passa e o resultado é definido. O cuidado com a saúde, porém, continua muito depois de o assunto político deixar as manchetes.

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