Eleição nos EUA pode marcar o fim da era Trump, diz analista de pesquisas

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, o analista Nate Silver avalia que o cenário que parecia impossível há um ano se tornou plausível: uma vitória democrata não apenas na Câmara, mas também no Senado. A avaliação foi dada em entrevista longa a Ezra Klein, no podcast The Ezra Klein Show, do New York Times.

Silver, que se tornou referência em projeções eleitorais ao fundar o FiveThirtyEight, afirma que os democratas têm caminho para virar pelo menos quatro cadeiras hoje republicanas no Senado, desde que defendam os assentos competitivos que já ocupam. O número que muda o mapa

O ponto decisivo, segundo o analista, é a distância entre o clima partidário e o mapa. “As pessoas não estavam realmente falando do Kansas, mas agora o Kansas”, disse Klein ao abrir a conversa, resumindo o fenômeno: os democratas aparecem competitivos em estados onde Trump venceu por dois dígitos.

Silver explica o que mudou. “Se a eleição correr mais ou menos como as pesquisas dizem, isso marcaria de certa forma o fim da era Trump”, afirmou.

Ele ressalva que Trump seguirá presidente por mais dois anos, mas lembra que a campanha de 2028 começa assim que os votos forem contados. O cálculo que sustenta a aposta é a média histórica das eleições de meio de mandato: o partido do presidente perde, em média, sete pontos e meio de vantagem no voto popular.

“Este ano parece mais com 11 pontos”, disse Silver. É esse deslocamento que coloca estados como Ohio e Texas em disputa real.

“Texas é um estado Trump mais 13. O clima partidário se move 11 pontos na direção dos democratas.

Então agora é republicano mais 2”, calculou o analista. Candidatos pesam, e o Maine preocupa

Silver credita parte do avanço democrata à qualidade dos candidatos e à fraqueza de adversários republicanos. Ele cita o deputado estadual James Talarico, que enfrenta o procurador-geral Ken Paxton no Texas, e o ex-governador Roy Cooper, candidato na Carolina do Norte.

“Os intangíveis dos candidatos podem mover as coisas em até cinco pontos”, disse. Sobre o Maine, contudo, o analista demonstra cautela com a corrida contra a senadora Susan Collins.

“Compartilharia a preocupação dos democratas com o Maine um pouco. Susan Collins superou suas pesquisas em tipo nove pontos na última eleição”, afirmou, lembrando que a republicana tem histórico de superar as projeções na hora da votação.

Em Michigan, ele compara as corridas estaduais: “Se você comparar a disputa para governador, onde Jocelyn Benson está à frente por oito pontos, El-Sayed está à frente por três ou três e meio”, disse Silver, apontando uma diferença de quatro a quatro pontos e meio atribuída à qualidade do candidato.

O humor contra o partido do poder Silver também comentou o humor do eleitorado em relação a Trump.

“A aprovação de Trump agora está mais baixa do que estava depois de 6 de janeiro”, disse em determinado momento da conversa, referindo-se ao ponto mais baixo da primeira era Trump, após o ataque ao Capitólio em 2021. O Senado americano renova um terço das cem cadeiras a cada eleição de meio de mandato, e a Câmara inteira é reconduzida a cada dois anos.

Com margens tão estreitas, poucos assentos decidem o controle das duas casas, e é nesse jogo de soma zero que a projeção de Silver se torna relevante: uma vitória democrata no Senado, o que os mercados e a imprensa americana tratavam como cenário remoto, obrigaria o segundo mandato de Trump a governar com um Congresso inteiro em oposição.

O analista evita declarar o resultado. A mensagem da entrevista é outra: o que seria impossível há um ano hoje depende de pouco mais de dois pontos percentuais em meia dúzia de estados.

Com informações do The Ezra Klein Show, do New York Times.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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